domingo, 29 de agosto de 2010

Fogareiro Super Tuna

Hoje mostrarei como fazer em casa um modelo de fogareiro a álcool simples, barato e muito eficiente. Também são conhecidos como espiriteiras, e seu uso é muito difundido entre os trilheiros mais antigos e experientes, pela simplicidade, leveza e funcionalidade.

Vale lembrar que embora os modernos fogareiros compactos que funcionam à base de cartuchos de butano estejam na moda, eles enfrentam uma séria restrição: Não é permitido embarcar em aeronaves com os cartuchos, e dependendo do lugar para onde se vá, não é muito fácil achá-los. Daí se entende o sucesso das espiriteiras. Em qualquer país do mundo se acha álcool de diversos tipos, a preços baixos. E este ainda leva vantagens em relação aos outros combustíveis líquidos para fogareiros, como benzina e gasolina. Ao contrário dos outros, caso o fogo saia do seu controle pode ser apagado simplesmente com água. Em caso de derramamento no interior de sua mochila, não mancha, estraga ou deixa cheiro forte por longos perídos, pois ele evapora rapidamente. Além disso não contamina alimentos.

Após estudar vários artigos pela rede onde as diversas variações eram amplamente debatidas e testadas, acabei escolhendo um modelo que o articulista chamava de Super Cat, pelo fato de ter sido feito a partir de uma lata de comida para gatos. Como o meu foi feito a partir de uma lata de atum, batizei de Super Tuna.

Vamos ao passo a passo:
Primeiro pegamos uma lata de atum vazia, devidamente limpa e já sem rótulo.
Depois de virarmos a beirada interna cortante para cima, fazemos duas fileiras de furos, intercaladas, tentando manter o espaçamento regular.
Pode ser usado um furador de escritório, como eu usei nos primeiros furos. No meu caso, ele entortou e não fura nem papel mais. Tive que continuar fazendo um furinho com o meu Victorinox e alargando com um alicate de bico fino. Na verdade qualquer método que fure a lata vai servir, mas é preciso fazer furos de aproximadamente 4mm.

A ciência por trás deles é que ao incendiarmos a camada superior do álcool, a temperatuda da camada inferior se eleva, então ocorrendo a evaporação da mesma, que se pressuriza após tamparmos o fogareiro. Com isso a chama principal se apaga e somente o gás pressurizado é queimado através dos furos laterais.
Isso os torna muito eficientes, este meu nos testes ferveu meio litro de água em 6 minutos, e teve autonomia de 11.3 minutos com 1 cm de álcool no fundo, o que é o bastante para cozinhar um miojo ou pacote de sopa.

Os testes:

A panelinha usada é a minha de camping, onde a tampa é um pratinho e abaixo dela vai outro. Já que será ela a usada no mato, faz bastante sentido usá-la nos testes. Apesar do fundo um tanto empenado, não dificultou o uso do Super Tuna.
Da primeira vez coloquei apenas duas tampinhas de álcool e acabei tampando o fogareiro muito rápido, logo, não deu tempo do álcool ferver e pressurizar. Achei que era erro de construção mas resolvi tentar de novo. Desta vez coloquei álcool até chegar a cerca de 1cm do fundo do fogareiro. Também esperei por quase um minuto até ver o álcool borbulhar e claramente ferver para colocar a panela em cima. Aí tudo funcionou conforme o planejado.
Álcool pressurizado queimando através dos furos laterais.
Em 6 minutos a água ferveu. Boa média de tempo.
Resultado:

Sucesso total, o Super Tuna apesar de extremamente simples é eficaz, e leve. Lembram daquela foto onde eu mostrava meu porta marmita militar anexado à lateral da mochila via lacres plásticos? Pois bem, dentro dele vai minha panelinha de camping, e agora dentro dela vão o Super Tuna e uma embalagem pequena de álcool, formando um kit muito leve e prático.

O kit: panela, pratos, Super Tuna, recipiente com álcool, e porta marmita.
Se você gostou desta dica, experimente, faça um pra você, garanto que vai se surpreender. E se fizer me avise dos resultados!

Importante: Espiriteiras, como todos os fogareiros, são muito afetadas pelo vento. É altamente recomendado que você construa um abrigo de vento para quando for usar em locais abertos. Pode ser improvisado com caixas de papelão, ou outro material amplamente disponível, basta usar a criatividade.

Em caso de dúvidas, comentários, sugestões ou críticas comentem, twittem ou me mandem um e-mail.

Como eu sempre digo, a interação é sempre muito bem vinda.

Te vejo na trilha!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lacres plásticos e sua utilidade para o trilheiro.

Pequeno lacre formando um rolo de paracord com padronagem Desert Camo.

Lacres plásticos fazem parte da vida de todo mundo, ainda que muitas vezes passem despercebidos em embalagens de equipamentos eletrônicos e outros usos. São vendidos em diversos tamanhos e sua utilidade para o trilheiro é ampla. Podem ser usados para fixar bolsos extras em sua mochila, especialmente se esta tiver fitas costuradas nela, a exemplo das mochilas de padrões militares como ALICE ou MOLLE. Mas ainda que não tenham em toda a extensão, as modernas mochilas de trekking têm estas fitas em suas alças, o que já permite a adição de alguns tipos de bolsos nelas.
Minha mochila com cantil militar, porta marmita militar e bolso pequeno, tudo preso com lacres.
Os lacres também podem comprimir sacos de dormir, lonas usadas em telhados, ou até mesmo uma mochila com zíper defeituoso. E por último, ajudam nas construções em geral no mato, economizando metros de preciosa cordinha, e poupando o trilheiro de fazer dezenas de nós, conforme será tema de um post específico em breve. Devido ao seu baixo custo, e por serem leves e pequenos, merecem ser adicionados ao kit básico em sua mochila.
Lacres de tamanhos variados costumam ir para o mato na minha mochila.
 Resumindo: Pelo tamanho, peso, preço e utilidade este é um item que merece ser levado com você para qualquer aventura. Experimente e veja as múltiplas possibilidades.

Te vejo na trilha!

domingo, 22 de agosto de 2010

Camping com rede. Uma moda interessante.

Acampar de rede é muito interessante, pode ser muito confortável se for bem feito e em áreas de selva é quase a única opção, se você não quiser passar um bom tempo fazendo uma limpeza do terreno.

Mas a rede de selva estilo cigs que é muito citada pela net é um monstro, muito pesada e demorada de montar.

O esquema que estou montando atualmente e considero o ideal foi bolado pegando idéias recolhidas em foruns estrangeiros, como o Zombie Squad e o Hammock Forums.

Está vindo de fora, neste momento, este toldo:

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Lona para telhado vendida no e-bay.
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Rede vendida no e-bay.



A rede já chegou, e tem 2,10 x 1,30 metros, com camuflado inglês(DPM). O material aviation grade ripstop nylon. Peso: 435g

O toldo tem 3 x 2 metros, e de um lado é prateado(bom para refletir radiação solar em caso de abrigo de emergência em local sem sombra) e do outro tem o camuflado inglês(DPM). O material é o parachute grade ripstop nylon. Peso:425g

Ambos podem ser enrolados e guardados na sacolinha que vem junto. Graças à minha recém descoberta habilidade de arrematar leilões incrivelmente baratos no e-bay, este kit aí vai me custar menos de 100 reais, com frete incluso.

Para fixação da rede, vou usar paracord. Sendo que de um lado um simples mosquetão prende a volta na árvore, como esta figura mostra:
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Paracord e mosquetão. Fonte: Zombie Squad.

A diferença é que pretendo dar ao menos duas voltas na árvore, por garantia e para causar menos cicatrizes nela. A propósito, também está vindo de fora um pacote com 5 mosquetões parrudos como esses, baratinhos e perfeitos para este uso em camping.

Já do outro lado, na segunda árvore, usarei o mosquetão chamado figure9, da Nite Ize:
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Mosquetão Figure 9, da Nite Ize. Fonte: Zombie Squad.

É ridiculamente fácil de usar, pena que aqui no BR as pessoas ainda não descobriram esta acessório incrível. Um lado fica fixo e o outro você regula facilmente. Chega de amarrar tudo e depois descobrir que ficou muito baixo.

O mesmo método serve para fixar a corda de sustentação da rede, a diferença ficando por conta apenas do tamanho dos mosquetões Nite ize, que têm limite de carga diferentes. E o mosquetão de escalada, por garantia.

Uma dica interessante é usar outro par de mosquetões e cordinhas com prusiks para não deixar o toldo sair de posição com o vento:
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Mosquetão e paracord com prusik seguram o toldo. Fonte: Zombie Squad.

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Prusik. Fonte: Zombie Squad.

Interessante explicar que existem duas correntes de fixação do toldo. Tem gente que prefere por cima da corda e tem gente que prefere por baixo. O prusik segura a lona pendurada abaixo da linha, o que faz com que a chuva não pingue pra dentro dela, e sim por fora. Gostei da idéia e vou testar.

Lembrando que o toldo pode ser usado como um teto grande, caso precise de abrigo sem a rede. A imaginação é o limite.

O mosquetão Nite Ize pequeno para fixar o toldo já chegou. O grande para a rede está vindo.

Mais paracord também está chegando, especificamente pra montar o kit da rede. Estou ansioso pra testar, e quando o fizer criarei um post específico sobre este review.

Comentários são sempre bem vindos.

 Te vejo na trilha!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Victorinox, o pequeno notável.

Nem todo mundo ouviu falar no nome Victorinox, mas certamente todos conhecem o apelido "canivete suíço".
Esta fantástica ferramente realmente é de dotação oficial no exército suíço, e é item obrigatório no kit de todo aventureiro que deseja estar bem preparado.

Meu Victorinox Camper

Atualmente existem muitos modelos, de variados estilos, tamanhos e preços. Alguns entraram na era hi tech, voltados aos viciados em informática, tendo pen drives e outros gadgets. Outros, voltados ao uso em camping procuram ser mais completos e ter de tudo um pouco, incluindo talheres. Na minha opinião, isso os torna quase inúteis, mais próximos de um trambolho fadado a ficar em casa. A minha escolha recaiu no Camper, um modelo enxuto de tamanho médio que tem todas as funções realmente importantes, sem algumas que são na minha opinião encheção de linguiça. Este é o modelo que está sempre comigo, em um prático estojinho de couro, preso ao cinto.
Como todo legítimo Victorinox, o aço inox de suas lâminas é muito bom, mesclando boa retenção de fio com facilidade de reafiação.
A maioria, senão todas as funções primárias das ferramentas de um Victorinox são auto explicativas, mas existe uma infinidade de usos que nem sempre são intuitivos, e pretendo demonstrar alguns deles em posts futuros. Vou mostrar um deles agora.
A ferramenta descrita como punção escariador/agulha , é um poderoso furador de madeira. Basta ir girando no sentido horário como se fosse uma broca que os sulcos afiados vão tirando pequenas lascas da madeira, e aos poucos o furo vai se abrindo e se aprofundando. Com pouca prática se consegue um furo bem certinho, com direito a acabamento rebaixado nas beiradas.

Escariador e agulha
Não acredita? Este furo na foto abaixo, atravessando um galho de ipê roxo com cerca de 4 cm de diâmetro foi feito inteiramente com esta ferramenta, inclusive o acabamento.

Porrete feito de ipê roxo e seu furo, bom acabamento
 
Devido à profundidade do furo, tive que usar todo o comprimento da ferramenta, que apontando do lado oposto, me forneceu a posição correta para iniciar a abertura do outro lado.
Detalhe importante: Este furo foi feito cerca de um ano após o galho ter sido tirado do sítio, após uma tempestade em que a árvore inteira foi arrancada do chão. Ou seja, a madeira estava bem seca e dura e ainda assim o Victorinox deu conta do recado. Com madeiras recém cortadas, a tarefa é ainda mais fácil.
São inúmeras as possibilidades de construções no mato com uma ferramenta capaz de abrir furos, de armadilhas a escadas.
Lembrando que mais importante que ter uma ferramenta, é a inventividade no uso dela.


Te vejo na trilha!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Paracord, artigo de primeira necessidade do aventureiro.


Diversas padronagens digitais de Paracord. Fonte: Stormdrane's blog
 Muita gente nunca ouviu falar de paracord, mas todo aventureiro deveria ter algum em seu kit. Este é um item leve, compacto, e útil para uma infinidade de usos.
Mas o que vem a ser isso?
Parachute Cord ou simplesmente Paracord 550 é uma corda fina feita de Nylon, originalmente usada nas linhas de suspensão dos paraquedas dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Assim que chegavam ao solo, as tropas encontravam diversos usos para a cordinha. Desde então tem sido usada por militares e civis no mundo todo.
Ela é composta por uma capa, e sete cordinhas internas mais finas, e cadas uma destes é feita de dois fios individuais trançados. Sua resistência à tração é de 550 libras, daí o nome Paracord 550. Mais especificamente, a capa externa resiste a 300 libras, cada filamento individual a 17 libras e meia, e cada conjunto com duas destas trançadas resiste a 35 libras.
Paracord 550 e seus filamentos internos. Fonte: Wikipédia

Atualmente é encontrado em diversas cores, que são usadas inclusive em artesanatos úteis. O céu é o limite quando se trata de possibilidades. Alguns exemplos:

Bracelete de sobrevivência. Fonte: Stormdrane's blog

Porta garrafa. Fonte: Stormdrane's blog
Pulseira de relógio. Fonte: Stormdrane's blog
Cinto. Fonte: Stormdrane's blog
  Esta incrível cordinha, sendo inteira ou desmembrada é frequentemente utilizada em situações de sobrevivência, bushcraft ou mesmo em campings para construções na selva, armadilhas, pendurar rede ou lona para uso como telhado, cadarço, corda de arcos, rede trançada de pesca, linha de costura, linha de pesca, fixar equipamentos ou acessórios a mochilas, fixar pontas de flecha para caça improvisadas nas hastes, situação em que comumente é usada em conjunto com alguma cola de origem vegetal ou animal. São inúmeras as possibilidades, e o fato é que nunca se sabe quando uma cordinha tão versátil pode ser necessária.
25 metros na mochila não ocupam quase espaço nem pesam, e já abrem todas estas possibilidades de utilização.

Para saber mais a respeito dos objetos confeccionados com paracord que aparecem nas fotos deste post, visite o Stormdrane's Blog.

Espero que esta dica seja útil.

Te vejo na trilha!

sábado, 14 de agosto de 2010

O dilema: Bushcraft versus Excursionismo Hi Tech, um convite à reflexão.



Tenho visto atualmente muitos debates entre os defensores do estilo de vida ao ar livre tradicional e os que seguem as tendências modernas de ecoturismo.
Discute-se tudo, desde a eficiência dos equipamentos, métodos e  até a ética e os valores de cada sistema.
Particularmente, acredito que todos os métodos são válidos, e cada pessoa tem uma escolha de estilos e preferências que influem nas suas práticas outdoor. Só não concordo com atitudes e opiniões radicais e extremistas.
Uma coisa que é frequentemente criticada é o fato dos praticantes de bushcraft, como são chamados os conhecimentos e técnicas primitivas de sobrevivência, ou melhor dizendo, vivência na natureza usarem recursos do próprio ambiente, como lenha para fogueiras, madeira para construções na selva, entre outras coisas. Uns dizem que é politicamente incorreto, que não deveria se tirar nada da natureza. Outros ainda alegam que gera poluição. A primeira afirmação nem merece muita atenção, afinal a utopia de que o ser humano pode existir sem causar o mínimo impacto no planeta é tão infantil que nem necessita de contestação, cai por terra sozinha.
Há que se levar em conta que usando corretamente as técnicas de bushcraft, tudo o que se faz um uso racional dos recursos do ambiente, com ênfase no aproveitamento das madeiras já mortas, tiradas das árvores caídas durante tempestades e ventos fortes, o que, como qualquer excurcionista pode confirmar, é bastante frequente. Sendo assim, em nada o ciclo natural destas madeiras é alterado, no máximo seu ciclo de carbono é acelerado com a queima, e mesmo assim, nenhum resíduo nocivo ao meio ambiente é criado, nem catástrofes causadas. É uma interação perfeita com a natureza, que não atrapalha em nada a renovação da flora, a exemplo dos povos nativos do mundo inteiro.
Já os que praticam excursionismo a base de equipamentos hi tech e se consideram perfeitamente clean se esquecem que em sua construção são utilizados combustíveis fósseis, e enorme quantidade de poluentes é gerada. Não afetam o ambiente onde estarão trilhando, mas o país do fabricante sim, e muito mais do que a fogueira do campista à moda antiga. E quando são descartados, reforçam o problema de manejo de lixo.
Esta questão deve ser levada em consideração. O que causa mais impacto no meio ambiente global? Fogueiras de campistas, uma cabana construída com madeira tirada da floresta, ou produção de toneladas de materiais sintéticos todo ano?
Não quero com isso condenar toda e qualquer modernidade, muito pelo contrário, faço uso constante de muitos equipamentos modernos, que são avanços importantes na tecnologia humana. Por outro lado sou um fã dos conhecimentos dos antepassados, sua simplicidade e eficácia. Penso que devemos ser ponderados e buscar formas de interação mais racionais com o meio ambiente. Quando possível, uma mistura de conhecimentos e habilidades antigas com ferramentas e equipamentos modernos é útil e desejada.
Dá para chegarmos em um equilíbrio. O uso inteligente dos recursos é o ideal. Eu faço a minha parte e tento atingir esta meta.

Espero que este post tenha feito questionamentos importantes surgirem. Esta é a idéia.

Você tem uma opinião a respeito deste assunto? Comente! Participe sem receio.

Te vejo na trilha!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Meu chapéu estilo Croc Dundee - complementando a história da faca.

Meu chapéu australiano. Couro de búfalo, dentes e tira de couro de crocodilo.
Pouco mais de um ano atrás, cismei que queria trocar meu chapéu, de lona de caminhão reciclada, comprado em Tiradentes(MG), por um de melhor qualidade. Teria que ser de couro, do tamanho certo e não universal como o primeiro, e de preferência com algum toque clássico que desse um estilo caçador de antigamente.
Graças à indicação de um amigo cheguei a um fabricante tradicional na Austrália, e entre muitos modelos legais encontrei este modelo Crocodilo Dundee. Foi amor à primeira vista, mas meu entusiasmo murchou no momento em que li a pequena frase embaixo do anúncio, que dizia  ser um modelo destinado à venda exclusiva no território australiano...
Acabei escolhendo outro modelo, menos legal, que tinha uma imitação dos dentes do Crocodilo, e também a tira de couro que os segurava era sintética.
Já havia mostrado para a minha namorada e esperava virar o mês para encomendar, meu aniversário se aproximava e este seria o meu presente.
Qual não foi minha surpresa alguns dias depois quando recebi uma ligação no trabalho: era a namorada, perguntando rapidamente o link do chapéu que eu havia gostado e o tamanho, pois este seria o presente que ela me daria. Como já havia feito a medição e sabia de cor o tamanho certo, disse e prontamente enviei por e-mail o link do site. A idéia dela foi pedir para uma amiga nossa que estava voltando de lá em dois meses para trazer.
Fiquei feliz como criança, mas tive que controlar minha ansiedade pois os dois meses se arrastaram para passar. Volta e meia abria o link do site e ficava paquerando meu chapéu...
Não me lembro de quem foi o comentário, mas ouvi que para ser o próprio Mick Dundee agora só faltava a faca.
Neste meio tempo veio meu aniversário, e surpreendentemente todos resolveram me dar dinheiro, por falta de boas idéias para um presente. O valor daria tranquilamente para encomendar uma boa faca custom, então uma luz acendeu imediatamente na minha cabeça. Me lembrei do comentário e daí surgiu a idéia de encomendar minha faca para ser um kit com o chapéu. Graças à habilidade e dedicação do cuteleiro, esta ficou pronta antes mesmo do chapéu chegar ao Brasil.
Quando este chegou, vi que a espera era muito justificada, pois era o chapéu mais bonito e mais bem feito que já  havia visto. O couro de búfalo oleado dava a impressão de volta ao tempo dos safáris clássicos na África. Sua capacidade de proteção contra os raios solares é excelente, e minha cabeça fica supreendentemente fresca quando o uso mesmo no sol mais quente do verão carioca.
Agora ele é acessório obrigatório em qualquer de minhas aventuras ou mesmo simples passeios ao sol, conforme se pode verificar pelas minhas fotos.

Independente do estilo, o uso de um bom chapéu em atividades ao ar livre é altamente recomendado, pois proteger a cabeça do superaquecimento é vital. Já em regiões frias, o mesmo pode proteger sua cabeça do frio, mantendo o calor aprisionado em volta da cabeça.
Resumindo: escolha o seu e use, pois vale a pena.

Te vejo na trilha!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Passeio pelo Parque Nacional da Tijuca

A previsão do tempo para este domingo era de chuva, e a julgar pela ventania durante a noite, parecia acertada. Então quando acordei em uma manhã de muito sol fui pego de surpresa mas já pensei em fazer algum passeio interessante.
Após ligar para a namorada e combinar rapidamente a saída, acabamos indo para a floresta, mas ao invés de irmos para alguma das trilhas de sempre, apenas estacionamos na Vista Chinesa e fomos andando pela simpática estrada Dona Castorina.
De quebra ainda trouxe alguns pedaços de galhos de uma árvore de madeira muito boa que havia caído durante as últimas chuvas, bloqueando a estrada. Estes estavam já cortados pela Prefeitura na margem da estrada. Eu e meus artesanatos...
Aí seguem algumas fotos:
O Rio a partir da Vista Chinesa
Detalhe da representação de um dragão chinês
Aguardando a sessão de fotos da namorada terminar
E lá vamos nós...
Pausa na mesa do imperador para uma água
Mesa de piquenique mais parecia local de cerimônias pagãs
Três pombos imaculadamente brancos que estavam de olho na gente
Escolhendo um pedaço de galho para levar, tenho certeza de que se prestará a algum artesanato útil
E mais estes aqui...
O caminho, ainda mostrando os estragos das últimas chuvas de verão


Resumindo, este foi mais um dia com ar puro, paisagem de muito verde, algumas belas fotos e uma manhã de domingo bem aproveitada, em meio a locais recheados de história. Espero que tenham gostado.

Te vejo na trilha!

Resumo histórico dos locais visitados:
O Parque nacional da Tijuca -   É uma marca registrada do Rio de janeiro. Foi imortalizado e divulgado mundialmente graças à estátua do Cristo Redentor. O mesmo corta a cidade em duas, fato que o torna uma vista quase onipresente onde quer que se esteja.
Os paredões verdes, entretanto, não foram sempre assim. O café que chegou ao Rio ainda no século XVIII fez com que suas matas fossem devastadas, e a chegada da família real em 1808 piorou a situação. A partir de 1840 a devastação era tal que comprometeu seriamente o abastecimento de água ao passo que a população crescia. Na mesma década uma praga chamada borboletinha arrasou a  maior parte das propriedades cafeeiras, o que permitiu sua desapropriação. A partir de 1861 deu-se o imenso trabalho de reflorestamento da área afetada, utilizando-se mudas vindas de outras regiões. O tempo se encarregou do resto, e hoje em dia mal de pode crer que há um século não havia a floresta.
A Mesa do Imperador - Mandada construir nos limites da fazenda Nassau por Dom Pedro II, que passava ali horas a fio contemplando a natureza. Na verdade era comum toda a Família Imperial excursionar até o mirante com a mesa de granito para passar o dia e desfrutar de um piquenique regado a champanhe francesa. Os passeios ficaram mais fáceis a partir de 1857, quando o Barão do Bom Retiro, residente no Alto da Boa Vista, mandou abrir estrada carroçável ligando o Jardim Botânico á floresta. A estrada tornou o passeio à mesa acessível a carruagens, permitindo até aos idosos das tradicionais famílias cariocas o desfrute dos piqueniques. A estrada atual mantém seu traçado original. Em 1903, na administração Pereira Passos, a mesa foi reformada, ganhando o aspecto atual.
A Vista Chinesa - O nome se deve aos agricultores desta nacionalidade trazidos para o Rio de janeiro no ano de 1844, com o intuito de plantar arroz. A exemplo do acontecido com a tentativa de introdução do chá, o cultivo não vingou. Os trabalhadores acabaram sendo utilizados para a construção do que seria a Estrada Dona Castorina. Nesta obra, teriam feito seu acampamento onde hoje se localiza a Vista Chinesa, dando origem desta maneira ao primeiro nome de batismo do lugar: Rancho dos Chins, que depois evoluiria para o nome atual. A construção que se localiza lá atualmente também é do período Pereira Passos.
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