segunda-feira, 30 de maio de 2011

4 itens que incrementarão a cozinha de trilha do aventureiro.



Começarei a postar, não necessariamente em ordem, uma série mostrando como fazer a cozinha de trilha escapar da velha fórmula macarrão instantâneo/sopa de pacote, quase uma unanimidade entre os mochileiros e campistas.


Para isto contarei com o apoio da minha namorada, cozinheira de mão cheia, que não costuma seguir fielmente receitas, preferindo seguir o faro e a intuição. Ela será de fundamental importância para o desenvovimento e testes de receitas simples mas gostosas.

Com um pouco de imaginação e capacidade de adaptação, muitas receitas de casa podem ser feitas na trilha, elevando consideravelmente o moral dos envolvidos.

Para isto, basicamente contaremos com 4 ingredientes: Sal, açúcar, Fondor e Grill. Estes simples temperos permitem que se prepare carnes, peixes, massas, sopas, chás e até pipoca. O Grill é mais específico para carnes vermelhas, já o Fondor é o bombril dos temperos.

Acondicionados em simples e eficientes potinhos de tempero com tampa de rosca, eles irão na mochila e ajudarão a temperar e incrementar pratos nos acampamentos ou mesmo trilhas curtas, sem acrescentar muito peso ou volume.

Embalagens boas para impedir a entrada de umidade.
  Estes, em especial, são feitos com garrafas PET não infladas, e são perfeitamente seguros e resistentes para a trilha. Com seus conteúdos anteriores devidamente gastos, basta uma boa lavagem e remoção do rótulo original para que os novos conteúdos sejam colocados.

Rotuladas para impedir confusão.

Importante lembrar de não deixá-los cheios por muito tempo, mais vale renovar os temperos periodicamente.

Se esta prévia despertou seu interesse, fique atento para a série gastronômica do aventureiro.


Te vejo na trilha!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O kit de sobrevivência


Evito usar o termo kit de sobrevivência, porque remete a algo fixo e bom para todas as situações, o que está errado. Os itens levados dependem da região, da atividade a ser praticada e até mesmo do meio de locomoção usado. Portanto, o meu "kit" consiste de alguns itens fixos e outros que variam.

Vejo frequentemente  pessoas carregando kits em latinhas com tudo em redundância, na verdade uma versão miniaturizada de seus equipamentos de uso regular, como se pudessem perdê-los sem perder o kit junto. Alguns chegam a carregar o mesmo peso do resto do equipamento nestes kits.

O que elas não percebem é que seu equipamento, com o conhecimento de como usá-lo é todo o kit de que precisam.

Vejamos uma descrição do básico para a sobrevivência em ambiente selvagem:

Abrigo - Vai depender da região em que se está viajando, geralmente em selva uma boa cobertura e rede são a melhor pedida, em campo ou montanha uma boa barraca e saco de dormir podem proporcionar noites muito confortáveis mesmo em tempo ruim. Particularidades dependerão das preferências individuais. Se o programa for um camping offroad não há porque não montar um excelente acampamento base.

Recipiente para coleta/purificação/armazenamento de água - O ambiente novamente ditará as regras, quanto mais quente mais água será necessária. O recipiente também é escolha de cada um, um cantil militar, camelback, garrafinhas esportivas ou mesmo garrafas PET podem ser usadas para armazenamento de água, porém alguns deles facilitam o trabalho por permitirem executar duas funções, um bom exemplo são garrafas de aço inox que podem ir ao fogo, purificando água por fervura diretamente no recipiente onde ela ficará armazenada. Minha escolha nesta área recai no cantil militar, com o kit completo que consiste em cantil, caneco, base fogareiro e capa do cantil, onde todo o kit vai guardado. Em caso de expedição a locais com pouca água é necessário transportar grandes recipientes, e planejamento adequado é essencial.

Fogo - Algum equipamento para acendimento de fogo, ou até mais de um é essencial mesmo em climas mais amenos, já que o fogo proporciona aquecimento, preparo de comidas e purificação de água. Aqui a escolha é basicamente questão de preferência, partindo do pressuposto que o trilheiro domina o método escolhido, seja ele fogo por fricção, faíscas, método químico, eletricidade,  radiação solar ou mesmo isqueiros modernos .

Lâminas - Outro item onde em grande parte o gosto pesa na decisão. Regiões de selva geralmente beneficiam lâminas maiores como facões, enquanto regiões áridas podem ser exploradas com segurança carregando apenas uma faca, mas não há regras estritas a serem seguidas, tudo depende da habilidade de cada um.

Navegação - Uma boa bússola e o conhecimento geral da região em que se está permite que se procure a civilização em caso de emergência. Um GPS também pode ser uma boa ferramenta, mas por ser um equipamento eletrônico é relativamente frágil, e suas pilhas acabam, logo, não deve ser a única forma de localização.

Acima de tudo, o que realmente importa é deter o conhecimento a respeito das necessidades básicas em regiões selvagens, o estudo de técnicas primitivas sendo uma tremenda ferramenta para todos que se aventuram na natureza.

Lembre-se: A capacidade de improvisação faz mais para o aventureiro do que uma tonelada de equipamento nas costas.

O Bushcraft nos ensina que quanto mais se sabe, menos se carrega.

Te vejo na trilha!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Feather Sticks. Maximizando as chances de acender sua fogueira.


Esta é uma técnica bastante utilizada na Europa e nos Estados Unidos, e visa aumentar as chances de começar um fogo em condições de neve, onde nem sempre se pode recolher material miúdo. Seu nome deriva da aparência dos pedaços de tronco, lembrando penas.

Primeiramente escolhemos pedaços de tronco que sejam passíveis de partirmos em 4. De preferência usaremos dois ou mais, conforme veremos mais tarde.


Removemos toda a casca para que sequem mais rápido.
Partimos ao meio e depois partimos as metades novamente ao meio. Cada uma delas será um feather stick.

Batendo na faca com um toco partimos nosso galho com precisão.
Pegamos um dos quartos e separamos os outros. Neste ponto é essencial que a faca esteja bem afiada. Se for preciso, usamos a pedra de amolar para algum retoque no fio antes de prosseguirmos.

Agora, apoiando um lado no chão e segurando o outro, passamos a faca de cima para baixo em ângulo bem fechado por uma das quinas, com fimeza e sem trancos. Com isso geramos lascas bem finas que vão se enrolando conforme descemos. Não podemos cortar até o final, pois assim elas se desprenderiam do tronco, o que não desejamos.

As raspas são nosso objetivo.
Continuamos produzindo lascas até que a quina esteja reta, quando então giramos o bastão e prosseguimos na próxima quina.
Rapidamente o  bastão ficará revestido destas lascas, que parecerão feitas por plainas. Este é o feather stick.

Agora repetimos o processo com os outros pedaços, depois basta acendê-los.

Importante
A posição mais cômoda e eficaz é com o braço esticado, usando o ombro para forçar o corte. Com isso ganhamos consistência em todas as lascas.

Se o ângulo de corte for aberto as lascas ficam grossas, não podendo ser acesas com o método da faísca, mas ainda sendo boas para o uso de fósforos. De toda forma, é prudente tentarmos produzir as lascas mais finas que pudermos.

As lascas, por acenderem-se facilmente, não duram muito tempo queimando, não sendo capazes nem mesmo de incendiar os troncos aos quais se prendem, razão pela qual devemos fazer um maior número de feather sticks. Ao acendermos o primeiro adicionamos os outros para gerar um fogo passível de ser alimentado por gravetos maiores.

A madeira utilizada determinará o grau de dificuldade de execução desta técnica. Algumas são difíceis de rachar uniformemente, outras não queimam bem. Novamente afirmo que é importante tentarmos estudar as árvores da região em que excursionamos, para que possamos sempre selecionar o tipo certo de madeira para cada utilização.

O pedaço usado em nosso exemplo rachou mal e gerou lascas pouco uniformes, e só acendeu após vários minutos de tentativas com o Ferro Rod, o que só reforça o parágrafo anterior. Por esta razão, o momento dos feather sticks queimando não foi registrado em fotos.

Conclusão
A explicação por trás da técnica é simples. Ao racharmos a madeira em 4 expusemos suas partes mais secas, e ao cortarmos estas regiões em fatias finas, diminuímos a quantidade de calor necessário para sua combustão, daí a possibilidade de acendermos com faíscas.

Conhecendo várias maneiras de fazer uma mesma coisa aumentamos nossas chances de sucesso, e esta é mais uma técnica útil no baú de conhecimentos de qualquer trilheiro.

Te vejo na trilha!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...