domingo, 27 de março de 2011

Fazendo uma colher ao estilo Bushcraft

Uma parte divertida de praticar bushcraft é a fabricação de implementos de forma tradicional, enquanto se está no mato.

A sensação de ser capaz de substituir um item perdido compensa o trabalho duro que a fabricação requer. Na maoria dos casos, quando o item já está em estágio funcional pode ser usado, e com o tempo o acabamento vai sendo aperfeiçoado.

Com um pouco de habilidade e imaginação se pode fabricar talheres, potes, vasos, jarras e muitas outras coisas, e no exterior existem até cursos em grupo destinados a tais práticas.

Esta colher foi feita no meu tempo livre em 3 dias, usando apenas lâminas, sem nenhuma ferramenta especial. Foi a minha primeira tentativa.

A madeira usada foi angico, bastante comum pela região da fazenda. Ela é mais fácil de trabalhar que madeiras mais duras, mas tende a rachar em cortes muito profundos, o que exige cuidado.

A primeira etapa foi selecionar um pedaço caído no chão, e separar uma porção com sobra.
Depois, a madeira foi rachada com o facão, e de uma das partes saiu a colher.
Depois de algum tempo trabalhando com a EDC, o oco da colher vai tomando forma.
Satisfeito com esta parte, usei a serra Gerber para cortar grosseiramente os contornos da colher.
Daí em diante foi questão de acertar as formas com o facão e a EDC, até chegar ao ponto desejado.

Pronto, um item funcional, e feito inteiramente à mão, como nossos antepassados fariam. Neste estágio já é uma colher, embora em outras idas ao mato eu pretenda refinar os contornos.

Importante

Tenha sempre cuidado ao manusear suas lâminas, principalmente esculpindo alguma peça, pois acidentes são frequentes e nem sempre brandos. No primeiro dia da confecção da colher, após um escorregão da faca, cortei o indicador da mão esquerda. A cicatrização completa deste corte demorou mais do que toda a fabricação. Algo a se pensar, não?

Te vejo na trilha!

domingo, 13 de março de 2011

Andar por aí.


Andar por aí, sem pressa ou meta para atingir, é uma das coisas mais relaxantes que se pode fazer, e frequentemente proporciona experiências muito interessantes.

A liberdade de aproveitar plenamente as sensações da estrada, em suas cores, formas, sons e cheiros atrai caminhantes e aventureiros como eu por todo o mundo. Viajar a pé é muitas vezes uma experiência  espiritual, e certamente de auto conhecimento, pois o ritmo da jornada permite reflexões impossíveis por meios mais modernos de deslocamento.

As pessoas estão sempre correndo, tentando chegar em tempo recorde a seus destinos, e perdendo coisas importantes no processo. Uma verdade há muito esquecida é que a viagem começa quando se começa a planejá-la, e tão importante quanto a chegada(ou mais) é o caminho em si.

Anu preto, belo pássaro que é presença constante nos sertões brasileiros.
O sucesso de grandes caminhadas como a Trilha Inca de Macchu Picchu ou o Caminho de Santiago de Compostela é uma prova de que nos tempos atuais ainda há espaço para esta antiga forma de jornada. Sonho um dia explorar a Estrada Real, o antigo caminho do ouro, nossa ainda tão pouco conhecida grande caminhada, apelidada de Caminho de Santiago brasileiro, com seus 1500km. Até lá, diversos outros destinos me esperam.

Casal de pica paus repousa em um galho no meio da estrada.
Apesar dos confortos da vida moderna, é na estrada sinuosa que repousa o coração das pessoas que compartilham esta paixão pelo desconhecido atrás de cada curva. Em casa, tocando a vida, o chamado da aventura nos convida sempre a partir novamente. A cada chegada começam novos planos para a próxima partida.

Maritaca curiosa com o zoom de minha lente.
Em todas estas andanças, procuro sentir o caminho conforme sigo, com a mente limpa, aberta às informações que vou recebendo, registrando na memória, no bloco de notas, e muitas vezes na lente da câmera, as paisagens, os seres da floresta, os habitantes dos locais por onde passo e cenas de seu cotidiano e esta colcha de retalhos vai formando o conjunto de minhas experiências.

Bando de tucanos em uma árvore do outro lado do lago. Esta cena passaria despercebida caso estivesse com pressa.
O tempo nem sempre nos permite grandes viagens, mas mesmo nas menores podemos aproveitar as milhares de pequenas coisas que fazem estas experiências valerem a pena. Na verdade, com boa vontade mesmo de carro podemos aplicar os princípios das  grandes travessias, seguindo sem correria e mantendo o espírito de aproveitar cada etapa. Até um contratempo pode gerar histórias interessantes de vida.

Se você se identificou com o que leu aqui, eu o convido a partilhar o caminho.
Te vejo na trilha!

sábado, 5 de março de 2011

Binóculos: Tenha a visão além do alcance.


Caçadores, pescadores, militares e outros grupos mundo afora estão habituados ao uso de binóculos em suas saídas de campo, para observar a área em volta e ter uma visão mais precisa do ambiente. Assim podem estudar em detalhes um determinado espaço, escolher a melhor rota, rastrear a caça, entre outras atividades.
Um binóculo ajuda a vasculhar a paisagem distante
Nós também podemos aproveitar os beneficios desta poderosa ferramenta, seja ao observar o caminho a seguir de cima de um pico, observar a fauna local, ou em caso de emergência, procurar grupos de trilheiros, sinais de civilização ou abrigos naturais.

Tipos de binóculos
Existem os binóculos de tamanho padrão, alguns com grandes aumentos e bastante abertura, e os compactos, mais adequados para trilhas, pelo reduzido volume e peso. O que determina o tipo de binóculo a ser escolhido é a atividade a que se destina. Observadores a partir de bases fixas como salva vidas, controladores de tráfego entre outros costumam optar por binóculos maiores e mais poderosos. Já trilheiros preferem o peso e dimensões menores dos compactos, que perdem em abertura e em alguns casos em aumentos para os primeiros.

Entendendo  as especificações de um binóculo
Aumento: Se refere à proporção da imagem em relação ao olho nu. Um binóculo de 10 aumentos mostra a imagem 10 vezes mais perto que a olho nu.

Imagem equivalente à visão a olho nu.
Mesma imagem, com uma lente de 10 aumentos
Abertura: Se refere ao diâmetro da lente, que influencia na área coberta por ela e também na quantidade de luz que penetra no binóculo. Quanto maior a abertura mais área aparece na lente, e maior a qualidade da imagem. Em condições de baixa luminosidade como dias nublados ou nascer/pôr do sol, um equipamento com maior abertura garantirá uma imagem mais clara.
Compacto Tasco 10x25
Todo binóculo tem uma quantidade de aumentos e abertura, e estes dados são impressos em seu corpo. No exemplo temos meu binóculo Tasco 10x25. Ele tem 10 aumentos e abertura de 25, bastante satisfatório para as atividades nas quais o utilizo. Existem modelos com 10x20, 8x20, e nos tamanhos maiores 10x50, 50x50 ou mais. A escolha deve levar em conta suas necessidades individuais, mas procure se certificar de escolher boas marcas, pois a qualidade das lentes de um binóculo faz a diferença entre uma imagem cristalina e uma imagem embaçada e com pouca nitidez. Alguns fabricantes tradicionais são Tasco, Bushnell, Nikon, Zeiss, Bausch&Lomb, Swarovsky, Minolta, Pentax.

Utilização
Se engana quem pensa que basta posicionar nos olhos e enxergar tudo automaticamente.  Mas não há mistérios, e como hábito estas operações viram automáticas.
Primeiramente, o usuário tem que achar a abertura correta para a distância entre seus olhos, até que apenas um perfeito círculo seja visto, sem sombras ou eclipses nas laterais ou meio da imagem.
Depois, ajusta-se o foco para o olho direito, com o esquerdo fechado, girando-se o dial de borracha até chegar no foco adequado para a distância observada.
Então, com ambos os olhos abertos ajusta-se o foco através do botão central. Pronto, agora é só vasculhar a área desejada e regular novamente caso a mudança de distância seja significativa.

Comandos citados no texto realçados em vermelho
Aproveite sua visão extendida e curta as paisagens.

Te vejo na trilha!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...