quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Acendendo fogo com centelhas.

Por séculos a maneira usada para acender fogo, o método de produzir centelhas por atrito de metal com mineral andou desacreditado no século 20, graças à facilidade de se usar fósforos e isqueiros variados. No entando, com o Bushcraft tomando força entre aventureiros e primitivistas, as técnicas antigas como esta voltam à cena, e se mostram tão eficientes quanto as soluções modernas, com as vantagens de durabilidade e independência em relação a combustíveis.

O equipamento que utilizo é um meio termo entre modernidade e técnica antiga, pois trata-se de um material feito pelo homen para ser riscado pelo aço e produzir centelhas. No Brasil se chamam pederneiras, embora tecnicamente sejam diferentes das pederneiras usadas nas armas de fogo antigas. Lá fora são chamados de Ferrocerium Rods, Ou simplesmente Ferro Rods, e são vendidos em diversos tamanhos. Existem ainda os que são anexados a uma barrinha de magnésio, que em caso de necessidade pode ser raspada para fornecer uma ajuda com o início do fogo. O magnésio incandescente gera muito calor, por tempo suficiente para que o material miúdo se incendeie. Sempre carrego os dois, pois o Ferro Rod produz mais centelhas e mais calor, mas o magnésio é muito útil quando simplesmente não há material suficientemente seco para acender diretamente com faíscas, como aconteceu no episódio relatado neste post.

Acima, acendedor de magnésio. Abaixo, um Ferro Rod tamanho grande.


Para acender o fogo com as centelhas basta montar o material miúdo normalmente, e aproximar o acendedor. Apóie o riscador (seja o que vem nele ou a lâmina de uma faca) na superfície e puxe o acendedor para trás, assim o riscador ficará na mesma posição e as faíscas caírão precisamente sobre o material a ser aceso. Se tudo foi bem montado, e o material estiver seco o bastante, acenderá na primeira tentativa. Senão, repita até conseguir.

Na sequência de fotos abaixo, o processo que acabo de descrever:

Material preparado, Ferro Rod posicionado com seu riscador.
Momento em que acabo de riscar, algumas fagulhas ainda saltam. Note que o material já acendeu.
Algodão queimando até acabar.
Importante frisar que o algodão queimou sem qualquer ajuda de material inflamável. Respondeu bem porque estava seco, assim como o material que você deverá recolher no mato.

O processo é este, não há mistério. A escolha correta dos materiais é que faz o sucesso, assim como em qualquer técnica de acendimento.

Te vejo na trilha!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Falando um pouco sobre segurança.

O post de hoje surgiu inesperadamente. Não fazia parte do meu planejamento, ao contrário dos anteriores, e logo entenderão porque. De qualquer maneira é um assunto importante e não vejo hora melhor para abordá-lo.

Ontem, ao sair para o mato com o objetivo de praticar algumas técnicas e demonstrá-las em novos posts aqui no blog, cometi o primeiro erro ao calçar minhas botas antigas, já quase sem o solado antiderrapante, deixando as novinhas em casa. Pensei que minha experiência poderia até certo ponto compensar a falta de solado da bota. Mas ao chegar na região, vi que o solo ainda estava muitto molhado e mole, por conta das fortes chuvas da semana anterior. Ao longo da trilha perdi aderência mais do teria acontecido se as botas fossem novas, e na beira de um riacho por pouco não tive uma lesão séria quando meu pé esquerdo deslizou para dentro da água e ficou preso entre duas pedras enquanto caía para o outro lado. Foi sorte não ter torcido o tornozelo, no mínimo.

Me levantei, e após constatar a minha sorte por nada pior ter acontecido fui fazer o que tinha programado.

Após recolher minhas coisas e começar a voltar, por diversos fatores, fui um tanto negligente com o caminho, sem escolher tão cuidadosamente onde pisar. Desta vez a sorte decidiu não me acompanhar, quando ao atravessar novamente um riacho, meus dois pés perderam totalmente o contato com as pedras e eu caí, deslizando para a frente. Por instinto e treino me virei para apoiar com a mão direita no chão e amortecer o impacto, mas devido às características de onde estava, assim que minha mão tocou a pedra também deslizou, até que os dedos ficassem presos a uma fenda, enquanto continuava deslizando.

Foi a dor mais intensa e imediata que já senti, no momento não pude conter um grito de dor. Eu havia visto meus dedos se dobrarem para o lado errado e naquela altura pensei: Que ótimo, acabo de quebrar todos os dedos da mão!

Ainda sentado na pedra, com as pernas dentro d'água, fiz uma rápida avaliação do estado dos meus dedos. Conseguia movê-los, mas não sem dor, e eles já pareciam querer inchar.

Me levantei, atravessei o riacho e pensei: OK, agora não perca o foco, você precisa sair daqui.

Daí em diante escolhi cuidadosamente onde pisar, como deveria ter feito desde o começo, e consegui chegar até o início da trilha, onde estava o carro. Ao chegar em casa meus dedos já estavam duros e muito inchados, e procurei imediatamente um médico.

O saldo deste incidente: Nenhum osso quebrado, mas 5 dias de antiinflamatórios e aplicações de gelo, além do máximo descanso dos dedos. Foi pura sorte não ter me lesionado seriamente.

Saldo do dia: Dedos inchados, doloridos, medicação e gelo.

Resumindo: Nunca pense que é experiente demais para seguir procedimentos de segurança ou agir com cautela. Se eu fiz besteira você também pode fazer. Precaução nunca é demais.

Quem me conhece desde cedo, sabe que já estourei minha cota de besteiras. De quedas de cachoeiras, a cortes com minhas facas, chegando mesmo a fincar um facão no pé (sim, eu consegui esta façanha), tudo fruto de infância e adolescência muito agitadas, e com muito pouco planejamento antes de qualquer ação. Mas foi graças a uma cultura de segurança que consegui formar, que minimizei o risco de qualquer coisa dar errado. Adotando práticas seguras e nunca me distraindo. O dia de ontem foi a prova de que em determinadas situações basta um pequeno deslize (sem trocadilho) para causar grandes problemas. Não baixe a guarda! jamais pense "comigo nunca vai acontecer", porque se você se distrair o próximo a se acidentar pode ser você.

Pense nisso quando for se aventurar.

Te vejo na trilha!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Afiação, não é um bicho de sete cabeças.

Afiação é uma necessidade de todos que usam facas.

Sempre cito a importância de ter boas lâminas. Mas igualmente importante é saber a correta manutenção delas, e mesmo uma faca com excelente retenção de fio eventualmente precisará de uns retoques. O propósito deste post é esclarecer algumas das dúvidas de quem nunca conseguiu afiar uma faca.

Em caso de manutenção simples do fio algumas passadas em uma pedra de amolar fina garantirão o ponto correto, o que pode ser feito mesmo durante uma ida ao mato, mas às vezes é preciso ir além. No caso de uma faca com fio muito danificado será necessário usar uma pedra maior, de mesa, sempre de boa procedência.

No meu caso, uso duas pedras. Uma de mesa, dupla face, sendo uma mais fina e outra mais grossa, para desbaste pesado. Esta está comigo há mais de 15 anos. A outra, é uma pequena pedra da Victorinox, bem fina, para retoques no fio. Esta sempre me acompanha em minhas aventuras, na mochila.

Minhas pedras, cada uma com sua função.


Resumidamente pode-se dizer que o segredo de uma boa afiação consiste na escolha da angulação certa e na capacidade de reproduzir esta angulação dos dois lados do fio.

A angulação vai depender de vários fatores, como formato e tamanho da lâmina, e sua função. Facas feitas para cortar carne são muito mais afiadas do que facas grandes e pesadas para cortar mato.

Na pequena utilitária, o ângulo de afiação é mais fechado.
Na bowie, principalmente na ponta, o ângulo é aberto, proporcionando um fio mais resistente a impactos.
Lembre-se: um fio mais agudo é mais frágil, então há que se pesar bem os prós e contras.

Existem apoios no mercado com o objetivo de posicionar a faca em determinados ângulos, mas a maioria das pessoas apenas usa um pouco de sensibilidade. Com algum treino a posição vem automaticamente.

É importante manter uma pressão constante enquanto se passa a faca, sempre no sentido do fio, ou seja, como se estivéssemos fatiando a pedra, deslizando o comprimento total da faca, e na medida do possível, usando toda a pedra. Ainda assim com o passar dos anos esta se deforma bastante, ficando ondulada.

Facas diferentes, fios diferentes.
Se ao final de algumas passadas você não identificar rebarbas viradas para algum dos lados do fio, significa que a pressão e as repetições estão corretas. Teste o fio, e se não estiver satisfatório, continue.
Um fio sem rebarbas é o objetivo.
Uma faca bem afiada deverá ser capaz de cortar papel de forma suave, sem rasgá-lo.
Cortando, sem rasgar.
Importante: Facas sem fio são perigosas, pois requerem mais força para cortar, e isso leva ao descontrole. Aprenda a fazer a manutenção do fio de suas facas corretamente.

Te vejo na trilha!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Mochila Maxpedition Condor II.

Minha mochila e meu inseparável chapéu.

O post de hoje nasceu devido a pedidos de alguns amigos, que se interessaram em saber mais sobre a minha mochila. Este é o relato da minha experiência com este produto, que dura mais de 6 meses, desde que comprei a mochila pela internet. Ela foi utilizada em várias trilhas e rodou muito pela cidade, com carga variada.

O fabricante. A marca Maxpedition é mundialmente conhecida, e tem seu foco voltado para atividades policiais e militares, mas rapidamente agradou ao público civil pela qualidade superior e resistência a abusos de seus produtos. Além disso, soluções inteligentes de design baseados em padrões modulares atualmente de dotação militar permitem múltiplas configurações para cada bolsa ou mochila da linha, e uma variada gama de acessórios completa o cenário. Além da própria Maxpedition, diversos fabricantes espalhados pelo mundo oferecem acessórios e bolsos neste padrão, tornando a mochila ainda mais versátil.

A mochila. O modelo Condor II tem 32 litros de capacidade, considerado um bom tamanho para atividades de um dia. Fazendo uso das tiras padrão MOLLE para anexar bolsos extras esta capacidade é generosamente aumentada, comportando facilmente um camping de fim de semana.


Suas costuras são reforçadas, o material é a Cordura 1000, a mais espessa que existe, e seus zíperes além de super dimensionados eliminam os puxadores metálicos completamente, substituindo-os por pedaços de paracord. Começou a perceber porque tantos gostam da marca?

Material super resistente e costuras reforçadas criaram a fama da marca.

A divisão dos bolsos faz com que a arrumação dos itens seja boa, nada fica inacessível, e ao mesmo tempo não torna os espaços limitados. O compartimento central é bem generoso, comportando mais do que aparenta. Já o compartimento traseiro é feito especificamente para uso com reservatórios tipo camelback, de até 3 litros. Tiras na base da mochila servem para levar saco de dormir, isolante térmico ou qualquer outra coisa que o usuário resolver. No meu caso ela normalmente leva a rede e sua cobertura.

Poncho guardado em bolso dentro do compartimento principal.
Itens à mão na hora da necessidade.
Rede e sua cobertura fixas por tiras ajustáveis na base da mochila.
Compartimento traseiro, usado para guardar uma camisa e o abrigo corta vento do fogareiro.
Mochila em ação, com o kit fogareiro e cantil anexados às laterais.
 Após o uso em todo tipo de clima e com variações de configurações de bolsos, confirmo o merecimento da fama da marca. Após meses rodando pela cidade e em trilhas não há qualquer marca de desgaste na mochila, nenhuma costura solta. O revestimento em Teflon da DuPont é bastante eficaz, protegendo os itens guardados mesmo em chuvas de média intensidade. As tiras padrão MOLLE não são apenas decorativas como frequentemente acontece, resistindo ao peso de um cantil cheio sem qualquer sinal de fadiga.

As alças são muito confortáveis, permitindo o ajuste correto e distribuição adequada do peso pelos ombros, peito e quadril. Em testes com sobrecarga ela permitiu a marcha de forma bastante confortável para uma mochila destas dimensões.

Após esta experiência sou mais um que confia na marca, e recomendo a todos que desejam um produto feito para durar.

Para maiores informações sobre este e outros produtos, visite o site da Maxpedition.

Te vejo na trilha!
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