Todo mundo que gosta de aventura, acaba gostando dos equipamentos de aventura. E uma das ferramentas mais constantes na nossa vida é uma boa faca. Eu sempre fui fã incondicional de lâminas. A multiplicidade de funções que uma boa lâmina pode desempenhar é mais impressionante do que qualquer outra ferramenta do homem. O mesmo implemento pode conseguir alimento, prepará-lo e servi-lo à mesa, construir uma moradia ou abrigo no mato, defender a vida de seu dono, executar pequenos ou grandes trabalhos de artesanato úteis à vida, por exemplo.
Depois de ter adquirido ou ganho ao longo da vida literalmente dezenas de modelos diferentes de lâminas da cutelaria industrial, resolvi dar asas a um sonho.
Em 2009 dei um presente de aniversário para mim. Depois de muito debater, dar sugestões e fazer exigências ao meu paciente amigo e cuteleiro Jean Callegari, surgiu a faca que eu sempre quis. Uma custom, feita a mão. Forjada a partir de uma barra redonda de aço carbono 52100, com lâmina de 9 polegadas, guarda e pomo em inox, e cabo em chifres de cervo e búfalo. O resultado foi uma faca de 37 cm totais, 7,8 mm de espessura, e 34 mm de altura. Uma grande faca, em mais de um sentido. A bainha foi um projeto paralelo, executado com maestria por outro amigo e artesão, o Getúlio Martins, de Niterói. A idéia era se aliar ao estilo peculiar da faca formando um belo conjunto com meu chapéu que já estava encomendado para vir da Austrália. Assim se desenrolou a história.
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| O primeiro passo foi achatar a barra redonda. Quem vê assim nunca pensa que vai virar algo belo um dia. |
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| O aço em brasa vai sendo martelado e moldado. |
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| A lâmina vai pegando forma. A minha é a de cima. |
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| O cuteleiro risca a lâmina, já definindo a forma final da faca. O pedaço de chifre o ajuda com a proporção. |
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| Muitas marteladas depois, já se nota a forma da faca. As manchas pretas são remanescentes do processo de forjamento, antes do polimento final. |
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| Detalhe da enorme espessura nesta etapa da fabricação. |
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| Começa o desbaste. Neste ponto as imperfeições de martelamento são retiradas e um acerto mais fino das formas é feito. |
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| Formato final e primeiro polimento dado. |
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| Hora do tratamento térmico. A têmpera seletiva visa dar mais dureza às partes claras e mais flexibilidade às escuras. |
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| A lâmina recém saída do forno. A têmpera seletiva é bem evidente aqui. |
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| Mais um polimento, manual, com a lixa que aparece por baixo. |
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| A guarda é soldada na posição, com ajuda de gabaritos simples. |
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| Os chifres de cervo e búfalo são cortados e posicionados. Agora falta pouco. |
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| O produto final, belíssimo. |
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| Detalhe da linha de têmpera, similar ao hamon dos katanas japoneses. |
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| A espessura final da lâmina, ainda muito robusta. |
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| Detalhe da emunhadura, do pomo em inox e os espaçadores de latão. |
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| O dia em que a faca chegou. |
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| A bainha, com belos inlays de couro de lagarto. Um perfeito complemento para uma faca custom. |
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| O conjunto. No final, meu projeto deu muito certo. |
Finalizo o post dizendo que a faca é muito mais do que poderia esperar. Veio com um fio de fazer barba, mas que se mantém até hoje apesar de já ter sido usada em tarefas diversas no mato.
Se estiver pensando em encomendar uma faca custom para você, minha opinião é de que não se arrependerá.
Este conjunto faz sucesso onde quer que vá, e está sempre comigo nas minhas trilhas e aventuras, como uma marca registrada. Com certeza ainda teremos muitos caminhos para trilhar!
Espero que tenham gostado da história e das fotos.
Te vejo na trilha!