segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Char Cloth ou tecido carbonizado.

 Esta é uma técnica muito antiga, e que continua tão funcional quanto era na época do velho oeste. Consiste em pedaços carbonizados de tecido natural, normalmente algodão, que se incendeiam como uma brasa assim que uma faísca os atinge.

Isto era ideal em um tempo em que não existiam Ferro Rods, e o pioneiro dependia de uma fraca emissão de faíscas produzidas do atrito entre um pedaço de metal e uma pedra como quartzo ou similar.

Esta brasa então era depositada no interior do ninho de fogo que estaria preparado, assim como o resto dos componentes da fogueira, e a partir daí seria apenas questão de alimentar e cuidar do fogo.

Com os materiais disponíveis hoje em dia não há porque não termos sucesso com este método.

Para começar é preciso:

-Latinha. Os gringos usam muito a famosa Altoids Tin, mas pode-se usar latas de bala, de Vick, ou mesmo comprar latas para brindes de festa, como eu fiz, e paguei 19 centavos. A escolha é individual.

-Tecido natural. O método mais simples e garantido é pegar uma camiseta de algodão velha, mas pode-se e deve-se experimentar outras coisas, como sisal, palha, etc, inclusive é muito comum o uso de cordas.

Camiseta velha e latinha, tudo o que se precisa.



Como fazer:

Com ajuda de um prego e uma base de madeira, faça um furo na tampa da lata, por onde a fumaça da queima sairá sem aumentar a pressão interna.

Tampa da lata é furada.

Recorte o tecido em pequenos quadrados, que caibam justo na lata. Não tem medidas exatas, é no chute mesmo.

Manga da camisa recortada em quadrados, e lata já preenchida.

Coloque a tampa na lata, e depois coloque a lata no fogo baixo do seu fogão ou fogareiro, ou ainda nas brasas da fogueira, se estiver no mato. Rapidamente a fumaça vai subir pelo furo. Não se assuste com o cheiro de tecido queimado, deixe a fumaça sair até se esgotar. Apenas ventile bem a casa, se fizer o processo dentro dela.

Fumaça começando a sair pelo furo na lata.

Feito isto, desligue o fogo ou remova a lata das brasas e deixe esfriar. Não abra ainda, ou a ventilação pode fazer o tecido incendiar. O resultado é o que vemos abaixo, tecido carbonizado que é queimável. Repare que os quadrados encolhem.

Char cloth pronto para ser usado.

Como usar:

Como dito anteriormente, a fogueira deve ser preparada normalmente. Material miúdo, intermediário e grande separado ao lado de onde vai ficar o fogo. Pegue um dos pedaços do tecido, e o coloque junto do material miúdo. Com apenas uma riscada do Ferro Rod ele vai ficar em brasa, basta soprar para incendiar o material em volta. Isto poupa esforço, o que é um alívio após um dia de longa caminhada. A partir daí é alimentar a fogueira como costume.

Queimando lenta e controladamente.
Conclusão:

Esta é uma técnica muito simples, barata e eficiente. Foi provada pelo tempo. O tecido carbonizado queima durante tempo suficiente para que o material miúdo acenda.

Todos têm acesso a um pano ou camiseta velhos, e pelo que pôde ser visto, duram muito usando esta técnica. A lata também é simples de encontrar, transformando o char cloth em popular.

Pessoalmente, vou deixar os outros métodos de ajuda ao início de fogo para trás e só usar o bombril como plano B e o char cloth como principal recurso.

Experimente também e depois me diga o resultado.

Te vejo na trilha!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Lamparina a óleo


Que tal fazer de maneira rápida e simples uma eficiente lamparina a óleo, de baixo ou nenhum custo, e que ainda por cima queima óleo de fritura, azeite, óleo de andiroba, copaíba, e muitos outros?


Serão necessários os seguinte itens:

-Um pote de vidro com tampa de rosca, para que o combustível não vaze com o transporte. Preferencialmente baixo e largo, para que a chama fique afastada do vidro, caso contrário poderá estourar com o calor excessivo. Qualquer coisa com cerca de 4cm de boca será seguro o bastante. Neste caso usei um pote de geléia. Potes mais largos requerem alimentação menos frequente, pois o nível do combustível demora mais a descer.

-30 a 40cm de arame relativamente resistente, que será moldado de forma que sustente o pavio. Usei o mesmo empregado na confecção da alça da lata-caneca. Atenção: Arame de cobre pode ser usado, mas em contato com o ácido de óleos vegetais criará oxidadação que gera vapores tóxicos, e arames de aço galvanizado também os produzem quando aquecidos por chama. Melhor lixar e remover a galvanização antes.

-Pavio de material natural, que pode ser cilíndrico, em forma de cadarço ou chato ou mesmo trançado manualmente. Preferi um cadarço pronto de algodão, mas outras fibras podem ser usadas, como cânhamo, sisal, juta, entre outras. Sua imaginação é o limite.

-Prego ou outro objeto rígido e cilíndrico, de diâmetro aproximado ao do pavio que será usado. Este servirá para moldar a espiral do suporte de arame.

-Combustível. Como foi dito, um fato interessante é a possibilidade de reciclar óleo de fritura, que normalmente se torna inútil para o usuário comum após o uso inicial. Se desejar uma queima sem cheiro, use azeite. Óleo de andiroba tem a vantagem de espantar mosquitos, e para quem tem acesso a copaíbas, seu óleo é gratuito e queima muito bem, sendo usado até como combustível para motores Diesel na Amazônia.

Material necessário para confecção da lamparina.
 Fazendo a lamparina:

A primeira etapa é moldar o arame de acordo com o vidro e o pavio. Pode-se dar 4 ou mais voltas no molde, que sustentarão o pavio. Depois é preciso definir a altura e o raio da base, levando em conta que o arame deverá ficar em pé no fundo do vidro, e o pavio não deverá ultrapassar a altura da tampa, para que possa ser fechada.

Moldando a espiral com ajuda de um alicate e chave de fenda.
 Existe a alternativa de moldar um puxador por onde se remove o suporte de dentro do vidro, para acendimento e outras coisas, mas considero desnecessário e dependendo do formato ficará acima da tampa, inviabilizando seu fechamento.

Uma possibilitade interessante é moldar uma alça em volta do pescoço do vidro, para que a lamparina vire uma lanterna portátil.

Feito o suporte, corte o comprimento de pavio que forma que fique posicionado até o fundo e tenha sobra para absorver bem o combustível, também com uma sobra de cerca de 5mm acima do suporte.

Arame moldado, é hora de encaixar tudo.
 Uso:

Completando o nível de combustível até pouco abaixo das espirais do suporte, garante-se a boa queima do pavio, que deve ficar de molho neste por algum tempo antes de ser aceso, para que absorva bem o óleo.

Recipiente preenchido com o óleo queimado de fritura, filtrado.
 O acendimento pode ser feito com fósforos ou isqueiro, caso o pavio não tenha ficado muito baixo, situação em que o puxador citado anteriormente faz falta.

Quando detectar que o pavio está queimando muito rápido, é sinal de que o nível do cobustível está baixo, hora de completar. Quando o pavio diminuir muito deve ser alimentado até a altura correta novamente.

Lamparina acesa. Um belo efeito.
 Para apagar, basta colocar a tampa no vidro, o pouco oxigênio no interior se esgotará rapidamente e o fogo se extinguirá.

Além de ser um objeto interessante, a lamparina pode ser muito útil em situações de emergência, em que acharemos óleo com facilidade, mas pilhas nem sempre.

Ela ilumina em todas as direções, o que pode ser melhor aproveitado quando pendurada, como lanterna.

Abaixo, pela primeira vez no blog, um vídeo! A lamparina queimando por alguns segundos.



Conclusão:

Não há motivo para não fazer esta experiência interessante, e pensando além das trilhas e usos comuns, uma série de lamparinas como estas viram uma bela decoração de jardim à noite.

Te vejo na trilha!
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