segunda-feira, 4 de julho de 2011

Passando adiante o conhecimento


É muito bom quando alguém manifesta interesse pelas coisas das quais gostamos, principalmente gerações mais novas.

Foi o que aconteceu algumas semanas atrás, quando o filho de uma prima me ligou, todo entusiasmado, para contar que "descobriu" uma cachoeira com o amigo dele durante uma caminhada.

Mostrava na voz a mesma empolgação que eu sentia na idade dele, 15 anos, ao começar a explorar as trilhas da cidade do Rio por conta própria.

Vinha me dizer que a nova experiência tinha sido uma coisa muito maneira e que queria me acompanhar nas trilhas que eu o convidasse.

Após conversarmos por alguns minutos, nos despedimos e eu fiquei com aquele papo na cabeça.

Ri sozinho ao lembrar do ditado japonês que diz: "Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece."

Por alguns fins de semana acabei não indo para o mato, e apesar de morarmos no mesmo prédio, não nos vimos nem falamos.

A oportunidade

Sábado passado fiquei pensando em uma programação que pudesse ser a trilha inaugural. Algo que pudesse servir de termômetro do interesse dele por caminhadas comigo e ao mesmo tempo de teste. Sim, porque caminhadas em dupla nem sempre são eventos livres de problemas, há tipos de pessoas que não combinam em uma trilha, e a única maneira de descobrir é testando em roteiros curtos.

Fiquei esperando a manhã de domingo para ver se a previsão do tempo acertava ou não, já que no feriado anterior havia falhado miseravelmente, frustrando os planos de um dia de remadas e pescaria no mar, com tudo pronto, caiaque, tralhas de pesca, etc.

Desta vez a sorte estava do meu lado, quando acordei um dia com algumas nuvens mas sem chuva havia começado.

Escolhi um roteiro e liguei para ele. A avó dizia que estava dormindo, mas poderia acordá-lo. Já havia passado das 9 horas, houve tempo o bastante para dormir. Ao ser chamado para a trilha acordou de uma vez e foi correndo se arrumar. Primeiro bom sinal.

Após arrumar a mochila e trocar de roupa, fui encontrá-lo ainda se vestindo.

Como todo garoto que começa a fazer trilhas, não tinha nada especializado, nem vestuário nem calçado. Na falta de um tênis com solado antiderrapante, disse para escolher o mais velho, devido ao barro.

Partimos no meu carro rumo ao mato, conversando sobre coisas relacionadas às caminhadas.

A trilha

De cara se mostrou interessado nas mais diversas coisas, de cogumelos fixados em troncos pelo chão a árvores altas na floresta.

Conforme subíamos eu ia passando dicas, fazendo recomendações, e reparando na maneira com que ele andava e se portava no mato.

Atento às minhas explicações, se mostrou particularmente impressionado quando disse que as pessoas se perdem porque deixam de reparar nas pequenas coisas que diferenciam um lugar do outro, durante o caminho, e por não ver como ele se parece na volta. Posteriormente confessou meio sem jeito que teria errado aquela curva em que falei sobre isso.

A trilha inteira foi tranquila, sem incidentes a não ser um escorregão que ele levou um segundo após eu recomendar pisar com cautela para tomar uma ducha na cachoeira. Demos boas risadas e com certeza hoje ele está ligeiramente dolorido. :)

Tirei uma foto para a posteridade na grutinha onde passei a noite do ano novo de 1999, e contei a ele que em breve pretendo pernoitar por ali de novo, bem ao estilo bushcrafter. "Maneiro!" Foi o que ouvi.

A volta foi igualmente tranquila, sem novidades até chegarmos na Lagoa Rodrigo de Freitas, quando o motor do fusca foi embolando por alguns metros até parar completamente.

Virei para meu aprendiz de trilheiro  e disse: "Carro velho, acontece..." Ao que ele sorriu e respondeu: "É mais aventura!" É, parece que esse gostou mesmo da coisa.


Já experiente após 10 anos e muitos kms a bordo do besouro, chequei sistematicamente tudo o que poderia estar errado, e descobri que o módulo da ignição eletrônica estava com mal contato, ou querendo parar de vez.

Reserva instalado, carro funcionando, viemos embora.

Ao chegarmos em casa, perguntei se ele gostou, e a resposta foi afirmativa. Disse que a partir de agora ele será avisado de minhas programações e se quiser poderá me acompanhar, ao que ele concordou prontamente.

Conclusão

Fico muito feliz por poder dividir conhecimentos que demorei muito tempo para juntar, com alguém que está realmente interessado em saber.

Contribuir na formação de um trilheiro, com consciência do que fazer e do que não fazer no mato, é algo que me deixa muito animado, e sendo família é ainda mais prazeiroso.

Espero que este tenha sido o início de uma parceiria de sucesso em trilhas diversas, e que tenha conseguido plantar a sementinha do aventureiro na cabeça deste carinha.

Te vejo na trilha!

8 comentários:

  1. Pelo que eu me lembro de quando eu tinha essa idade, maneiro que dizer: Nóóóóóssa André, muito legal cara! É a coisa mais incrível que eu já vi alguém fazer! Me convida pra vir junto pelo amor de Deus!

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  2. Legal, tem que mesmo é que passar pra frente o que aprendemos...
    Abraços

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  3. Pois é Pedro, vamos formando os novos aventureiros.

    Abraço.

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  4. Muito legal mesmo!
    Quando pego meu filho de 5 anos e dou um giro próximo aqui de casa(que graças a Deus tem uma certa natureza bonita) sinto exatamente isso! Ainda vai demorar para poder levar ele pro mato longe de casa, mais vou chegar la!
    Post de massacrar o coração de um pai como eu!
    Parabéns!

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  5. Obrigado amigo, siga passando as coisas boas para seu filho, este é o caminho.

    Um abraço.

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