terça-feira, 12 de abril de 2011

O bastão de caminhada do aventureiro.


O conceito de bastão de caminhada é conhecido e utilizado desde os primórdios da humanidade, sendo mais comumente chamado de cajado. Seu sucesso se deve a uma série de razões. Proporcionam apoio em longas viagens, fornecem proteção contra animais, ajudam a alcançar frutos em árvores e pastorear gado.

Em tempos modernos o bastão sofreu mudanças na utilização e também na forma, passando de longo e feito de galhos de árvores a curto e sintético, à semelhaça de bastões de ski. Alguns possuem como assessório um adaptador com rosca para fixação de câmeras digitais, para servirem de monopé.

Apesar destas tendências tecnológicas, o antigo cajado ainda encontra fãs, e entre os praticantes de bushcraft ele ainda domina o cenário. São muitas as razões que levam os puristas a optarem pelo bastão simples. A relação com o equipamento é totalmente diferente, pois envolve a escolha da madeira, a seleção e corte do pedaço correto e em muitos casos algum nível de personalização.

Foi com este espírito primitivista que, seguindo dicas dos moradores da região, decidi fazer meu bastão com um galho de pitangueira! Me surpreendi com a quantidade de galhos praticamente retos, bem como com sua densidade e resistência. Não demorou para que tivesse achado o galho que considerava ideal.

O processo


Munido de minha serra Gerber, cortei o galho desejado e o removi da árvore.
Em seguida me pus a cortar os galhos menores, que saíam do principal.
Em seguida cortei o bastão no tamanho desejado. Este momento não foi registrado em foto.
Descascar o galho foi fácil, pois a casca é fina e se desprende com facilidade, revelando uma madeira bem lisa.
Detalhe da casca sendo removida.
A próxima etapa foi acertar os nós e os trechos cortados, para isso contei com a EDC e para acabamento com o facão, mais precisamente a parte nas costas de que trato neste post.

Após considerar esta etapa encerrada, guardei o bastão em local seco, deitado, para secagem da madeira, que demorou aproximadamente 30 horas.

Curiosamente, a seiva de coloração arroxeada havia passado para o exterior da madeira na fase de secagem, tingindo a mesma e mantendo certa umidade. Resolvi este problema novamente com o dorso do facão, raspando cuidadosamente a fina camada que recobria a madeira.


Já de volta em casa, fiz o acabamento com duas demãos de óleo de linhaça, que protege a madeira de umidade e insetos. Aguardei 24 horas entre elas.

A madeira após as aplicações de óleo de linhaça.
O acabamento ficou muito bom, e a aparência do bastão não poderia ser melhor. Bastante reto porém sem perder o charme de galho.

Bastão pronto para muitas aventuras.

Se você deseja um bastão com identidade própria como o meu, vá em frente, olhe com cuidado a região onde costuma fazer trilhas, e certamente achará um que se enquadre.

Te vejo na trilha!

10 comentários:

  1. Ficou bem medieval! gostei...
    abraço

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  2. Pois é, foi a impressão que tive conforme fui fazendo. Gostei do resultado.

    Abraço.

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  3. Tenho um que está comigo há anos!

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  4. É minha intenção com este aqui...

    Testei em trilha com muita subida/descida, pedras e terra, aprovei, firme sem ser muito pesado.

    Abraço.

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  5. Show de aula, André, é um belo acessório. Parabéns!

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  6. João, há tempos vinha querendo fazer um bastão desta maneira, que tivesse o espírito pioneiro do passado.

    Fiquei feliz de ter conseguido.

    Abraço.

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  7. Parabéns por ser um dos unicos que incentivam o bushcraft no brasil cara, seu blog é ótimo.

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  8. Olá André,
    Também utilizo bastões em minhas caminhadas,
    mas os chamo de "cajados".
    seu Blog é ótimo.
    Parabéns!
    Anderson -RJ
    contatocompanhiadoser@gmail.com

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  9. Obrigado Anderson, também chamo o meu de cajado volta e meia. :)

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