O post de hoje surgiu inesperadamente. Não fazia parte do meu planejamento, ao contrário dos anteriores, e logo entenderão porque. De qualquer maneira é um assunto importante e não vejo hora melhor para abordá-lo.
Ontem, ao sair para o mato com o objetivo de praticar algumas técnicas e demonstrá-las em novos posts aqui no blog, cometi o primeiro erro ao calçar minhas botas antigas, já quase sem o solado antiderrapante, deixando as novinhas em casa. Pensei que minha experiência poderia até certo ponto compensar a falta de solado da bota. Mas ao chegar na região, vi que o solo ainda estava muitto molhado e mole, por conta das fortes chuvas da semana anterior. Ao longo da trilha perdi aderência mais do teria acontecido se as botas fossem novas, e na beira de um riacho por pouco não tive uma lesão séria quando meu pé esquerdo deslizou para dentro da água e ficou preso entre duas pedras enquanto caía para o outro lado. Foi sorte não ter torcido o tornozelo, no mínimo.
Me levantei, e após constatar a minha sorte por nada pior ter acontecido fui fazer o que tinha programado.
Após recolher minhas coisas e começar a voltar, por diversos fatores, fui um tanto negligente com o caminho, sem escolher tão cuidadosamente onde pisar. Desta vez a sorte decidiu não me acompanhar, quando ao atravessar novamente um riacho, meus dois pés perderam totalmente o contato com as pedras e eu caí, deslizando para a frente. Por instinto e treino me virei para apoiar com a mão direita no chão e amortecer o impacto, mas devido às características de onde estava, assim que minha mão tocou a pedra também deslizou, até que os dedos ficassem presos a uma fenda, enquanto continuava deslizando.
Foi a dor mais intensa e imediata que já senti, no momento não pude conter um grito de dor. Eu havia visto meus dedos se dobrarem para o lado errado e naquela altura pensei: Que ótimo, acabo de quebrar todos os dedos da mão!
Ainda sentado na pedra, com as pernas dentro d'água, fiz uma rápida avaliação do estado dos meus dedos. Conseguia movê-los, mas não sem dor, e eles já pareciam querer inchar.
Me levantei, atravessei o riacho e pensei: OK, agora não perca o foco, você precisa sair daqui.
Daí em diante escolhi cuidadosamente onde pisar, como deveria ter feito desde o começo, e consegui chegar até o início da trilha, onde estava o carro. Ao chegar em casa meus dedos já estavam duros e muito inchados, e procurei imediatamente um médico.
O saldo deste incidente: Nenhum osso quebrado, mas 5 dias de antiinflamatórios e aplicações de gelo, além do máximo descanso dos dedos. Foi pura sorte não ter me lesionado seriamente.
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| Saldo do dia: Dedos inchados, doloridos, medicação e gelo. |
Resumindo: Nunca pense que é experiente demais para seguir procedimentos de segurança ou agir com cautela. Se eu fiz besteira você também pode fazer. Precaução nunca é demais.
Quem me conhece desde cedo, sabe que já estourei minha cota de besteiras. De quedas de cachoeiras, a cortes com minhas facas, chegando mesmo a fincar um facão no pé (sim, eu consegui esta façanha), tudo fruto de infância e adolescência muito agitadas, e com muito pouco planejamento antes de qualquer ação. Mas foi graças a uma cultura de segurança que consegui formar, que minimizei o risco de qualquer coisa dar errado. Adotando práticas seguras e nunca me distraindo. O dia de ontem foi a prova de que em determinadas situações basta um pequeno deslize (sem trocadilho) para causar grandes problemas. Não baixe a guarda! jamais pense "comigo nunca vai acontecer", porque se você se distrair o próximo a se acidentar pode ser você.
Pense nisso quando for se aventurar.
Te vejo na trilha!