domingo, 21 de novembro de 2010

O estilingue. Muito mais que um brinquedo.


Ferramentas interessantes e frequentemente negligenciadas são os estilingues. Fazem sucesso entre a garotada há décadas, por serem simples e divertidos de usar. Por isso podem ser de grande valia em acampamentos com crianças entediadas. No entanto, não são apenas brinquedos. Com um pouco de treino são muito precisos e eficazes. Além disso, são um excelente treino para arqueiria, porque assim como nos arcos primitivos, no estilingue o tiro é instintivo, ou seja, não existe aparelho de pontaria, seu cérebro é quem calcula as trajetórias e ajusta a mira de acordo com o alvo.

Em situações de sobrevivência podem fornecer alimento, na forma de pequenos animais e pássaros. Podem ainda servir para espantar algum animal potencialmente perigoso.

Devido ao seu tamanho pequeno e peso reduzido, podem ser levados na mochila constantemente. Sua munição é farta, pois se encontra espalhada pelo chão.

Existem estilingues industrializados e os feitos em casa, a partir de forquilhas de árvores. A escolha depende das preferências individuais.

Estilingue regulável vendido nas lojas de camping e materiais esportivos: Boa opção para uso de elásticos potentes.


Os estilingues comumente vendidos no mercado parecem versões industriais de estilingues clássicos de forquilha, mas existem alguns mais bem feitos, com regulagem para o tamanho do braço do dono, e reforçados com apoio para o braço que propiciam melhor suporte na hora do disparo. Estes permitem que se use elásticos mais potentes que as versões mais simples.

Estilingue de forquilha feito no mato. Simples e eficaz.
Os estilingues feitos de forquilhas de árvore são os que todos têm em mente quando se fala no assunto, e frequentemente são vistos nas mãos de crianças na roça, devido à sua facilidade de construção. Este da foto foi feito em menos de 20 minutos, durante uma ida à floresta em dia de chuva. Basta adicionar os elásticos.

Falando neles, antigamente era comum o uso de pedaços de camara de ar de pneu, já que borracha era um item relativamente escasso, mas hoje em dia se encontram bons elásticos tubulares em lojas de materiais médicos, e a variação de medidas disponibiliza uma gama de potências para o estilingue.

Mais recentemente, algumas pessoas vêm utilizando elásticos ainda mais poderosos, conhecidos como Thera bands, que são usados como aparelhos de execício em fisioterapia, a cor indicando a resistência do material. Testes na Europa indicaram que um estilingue utilizando alguns tipos de Thera band propiciam disparos com energia equivalente a de uma arma de fogo, atravessando frangos congelados, e quebrando cocos. Realmente um poder surpreendente para o prosaico estilingue!

Nos EUA há ainda adaptações do estilingue para disparar flechas, que fazem relativo sucesso, especialmente em atividades de pesca. Um estilingue comum poderia se prestar a isso com poucas alterações, feitas já na área em que se pretende usá-lo, tornando-o ainda mais versátil.

Bolas de gude: Baratas, uniformes e de boa consistência.

Quanto à munição, pode ser desde pequenas pedras encontradas pelo chão, esferas de aço de diferentes medidas vendidas especificamente para este fim, ou bolas de gude que são relativamente uniformes e são vendidas a peso, com preço baixo. Há quem use esferas de chumbo, como as usadas nas armas antigas de antecarga. Tudo vai depender da disponibilidade e das preferências individuais.

Eu possuo os dois tipos, sendo que atualmente o industrializado tem visto ação, e os feitos por mim se encontram parados precisando trocar os elásticos. A descoberta dos Thera bands e equivalentes já despertou meu interesse, e em breve devo fazer uma bateria de testes com eles. A munição que tenho utilizado são as bolas de gude, levadas em uma bolsinha de nylon.

Minha recomendação é que experimente sem compromisso. Não seria surpresa se um hobbie esquecido na infância voltasse com força total, e agora com roupagem de equipamento de sobrevivência.

Te vejo na trilha!

domingo, 7 de novembro de 2010

Estudando alguns nós úteis.

20 metros de corda compactados com um nó de falcaça.
 
Nós são usados há milênios pelo homem, para inúmeras funções, e alguns deles são muito úteis ao trilheiro. Com uma corda e o conhecimento correto se pode subir em uma árvore ou descer um penhasco, improvisar uma maca, içar carga, fazer construções e muito mais. Tenha em mente que a capacidade de improvisação é fundamental, e a imaginação é sua aliada para prever usos para os nós.

Aqui vão alguns dos mais importantes, e que deveriam constar da lista de estudos de quem deseja se aventurar em áreas selvagens.

Nó de pescador - Sua função é unir duas pontas de corda, sem correr. Quando duplo é o mais confiável para unir cordas em escaladas, rappel e outras atividades potencialmente perigosas. Veja como fazer o duplo aqui.

Nó de falcaça - Normalmente feito com cabos de pequeno diâmetro, permite que se fixe firmemente um objeto a outro, ou ainda uma seção de corda a outra. Muito usado para fixar uma faca a um cabo, formando uma lança. Útil para melhorar a empunhadura de facas e outros objetos. Na falta de uma animação mostro passo a passo como fazer um.

Começo posicionando os objetos onde serão fixados e fazendo uma alça com uma perna de comprimento apenas suficiente para uma boa puxada.
Em seguida vou enrolando firmemente a outra perna da corda na direção da alça.
Chegando na alça passo a corda por dentro dela, segurando com firmeza do outro lado.
O nó é finalizado ao puxar a perna pequena, fazendo correr a alça para dentro da parte emrolada, levando consigo a outra ponta.
Para dar acabamento pode-se cortar as duas sobras de corda, mas como a intenção aqui foi apenas mostrar como se faz, mantive-as inteiras.


Prussik - Nó blocante que permite rápido ajuste quando puxado diretamente, e que aperta imediatamente quando tensão é aplicada na corda. Usado para subir em cordas já fixadas, e para ajustar ancoragens de redes, coberturas e varais. Iniciado com um cabo pequeno e de menor diâmetro do que o cabo principal, fechado por um nó de pescador duplo. Veja como fazer o prussik aqui.

Nó de oito duplo - Forma mais eficaz de formar uma alça que não desfaça sob tensão. Usado como alça em resgates, e ancoragens em geral. Veja como fazê-lo aqui.

Nó de porco - Base para diversos outros nós, ele também é usado para fixar cordas em rappel, entre outras coisas. Veja como fazê-lo aqui.

Volta do fiel - Serve para amarrar uma corda a um suporte fixo, por exemplo cercas, e outras estruturas feitas na selva. Veja como fazer encaixado por cima da estrutura aqui. Ele também pode ser feito passando uma ponta só pelo percurso completo, no caso de ser impossível passar por cima.

Obviamente existem inúmeros outros nós, e quanto mais se souber melhor, mas estes apresentados aqui são a base para os trabalhos ao ar livre, e com o domínio deles o trilheiro já resolve boa parte de seus problemas.

Assim como qualquer outra coisa, só se aprende a fazer nós através da prática repetitiva, por isso recomendo que você arrume um pedaço de corda, e pratique em seu tempo livre.

Te vejo na trilha!
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