terça-feira, 13 de junho de 2017

Viagem a São Pedro da Serra

 Aproveitando a ocasião do nosso 4º aniversário de casamento, planejamos uma viagem comemorativa. A idéia era conhecer um lugar novo e que não fosse demasiadamente longe para ir de carro. Escolhemos uma cidadezinha simpática chamada São Pedro da Serra, pertinho de Lumiar. Após considerarmos as possibilidades a rota escolhida foi seguir pela BR 101 até Casimiro de Abreu, então subir a RJ 142, passando por Lumiar. Na volta pegaríamos a RJ 116 até Friburgo e de lá a RJ 130 até Teresópolis, descendo a serra pela BR 116/ BR040.

 Saímos sexta feira após o almoço e em uma hora a paisagem da estrada já fazia parte dos atrativos da viagem, quanto verde temos a poucos quilômetros da megalópole que é o Rio de Janeiro! O cheiro dos eucaliptos às margens da rodovia já vai preparando o viajante para a mudança de cenário e de clima. A subida da RJ 142 parece cenário de filme, com o Rio Bonito serpenteando no vale abaixo. A esposa não curtiu o visual tanto quanto eu, o medo de altura não permitiu que ela admirasse todos os detalhes do sinuoso caminho. Já perto de Lumiar uma placa chamou atenção: RAFTING. Já sei que preciso retornar um dia para experimentar...

 Chegando a São Pedro a tranquilidade e clima alegre de cidadezinha de montanha nos impressionaram bastante, as casas bonitinhas, algumas com estilo europeu, o coreto e seu comércio, tudo contribui para gostarmos de lá, é o lugar perfeito para uma fuga da bagunça de cidade grande. Encontramos vários fuscas pelas ruas, o Donatello ficou enturmado.


O coreto com lojas ao fundo.

Não dá para ficar perdido.

A chegada à charmosa Pousada Canteiros foi rápida, pois fica a cerca de 100 metros da rua principal, em uma rua que tem o mesmo nome do nosso Fox Paulistinha: Juca. Seus simpáticos donos Elaine e João nos receberam muito bem, e além de proporcionarem boas conversas deram excelentes dicas do que comer, onde ir e o que fazer nos arredores, incluindo um roteiro impresso dos atrativos e caminhadas na região. Deixamos as malas no carro, e após concluir o check in e pegarmos os roteiros e dicas decidimos que dedicaríamos o sábado para conhecer São Pedro, e domingo para conhecer Lumiar e as cachoeiras em volta, e no retorno segunda feira passaríamos por Friburgo, onde a Milla queria comprar lingerie. No caminho para casa poderíamos visitar a casa suíça e o museu do mel.

Donatello finalmente descansa na pousada.

 A pousada é bem aconchegante, com bons quartos e banheiros bem equipados. O único ponto negativo que observamos foi o colchão, para nosso costume muito duro. A estrutura conta com piscina, sauna, mesa de sinuca, e vasta coleção de DVDs. Todos os quartos tem TV e aparelho de DVD. Especial destaque para o excelente café da manhã com pães, bolos e geléias feitas pela Elaine, tudo fruto de seu jardim com vasta plantação de morangos, além de carambola, limão, jaboticaba e uma horta com verduras e temperos.

A casa principal e os quartos ao fundo.

Floki, o gato que não queria contato. O reflexo deu um ar místico ao bicho...

Vários canteiros de morangos.

Quase no ponto.

Cebolinha, alface, carambolas ao fundo.

As verduras consumidas na casa são todas provenientes do quintal.
 Observamos muitos pássaros ao redor da pousada, bandos de barulhentas maritacas voavam de um lado a outro, migrando entre as árvores da rua, enquanto canários da terra pousavam nas árvores mais próximas. Vimos também pequenos beija flores, incluindo um que para nós foi inédito, de corpo acinzentado.

Canário repousa ao sol na manhã fria.

 São Pedro oferece algumas opções variadas, como chopperias, bares, restaurantes e pizzarias(cuja especialidade é a massa de aipim), além de uma casa de Fondue(que não vimos aberta o final de semana todo) e uma loja de chocolates. Além disso, muitos ateliês exibem artigos e artesanato local com preços variados. Destaque também para os belos móveis rústicos de madeira. A cidade fica a 1000 metros de altitude, e nesta época de dia é quente, mas à noite o frio nos permitiu usar roupas que normalmente não saem do armário.

Lojas de artesanato como esta podem ser vistas pela cidade.
  Voltando à sexta feira, já era fim de tarde e assim resolvemos nos arrumar e apenas dar um caminhada pela rua principal para conhecer as lojinhas e comer uma pizza, pois estávamos curiosos com relação à tal massa de aipim. Gostamos, mas não sei dizer se é melhor do que nossa pizza com massa de batata, receita que minha mãe faz há muitos anos.

Móveis rústicos da região. Gostei muito!

Bela iniciativa, merece apoio. Pena que não levei nenhum livro.
  Sábado, após o farto café escolhemos fazer a caminhada circular que contorna a cidade e suas hortas, com cerca de 5 km de extensão. Por besteira deixei o papel com o roteiro e mapinha no quarto, o que nos obrigou a constantemente pedir orientação dos moradores locais para não irmos parar em outro lugar. Não que isto fosse problema, todos foram simpáticos e prestativos, mas ao chegar de volta no quarto li a resposta para todas as nossas dúvidas no papel....

Os pães caseiros que deixaram saudades...

Ovos mexidos, geléias, frutas e frios.

A mesa completa.

Devo confessar que comi metade deste bolo...

Capela de São Pedro, inaugurada em 1865.

Detalhe da capela original, com a torre mais moderna na frente.

Casa de bonecas gigante.

Estação Glória, comida, cerveja gelada e roda de chorinho à noite. Só descobrimos na volta para casa.

Bambu que margeia o caminho circular.

Um dos maiores que já vi. Imagina a estrutura de pioneiria que podemos construir com ele...
  A caminhada foi boa mas cansativa, devido às ladeiras. Ficamos relaxando na pousada até a hora do almoço, que no caso foi mais tarde por conta do efeito do café da manhã. Escolhemos um prato executivo simples, e depois voltamos a caminhar pela rua principal, onde a Milla comprou lingeries. Ficamos sentados por um tempo em um banco do coreto, observando o ritmo mais lento e capturando aquele visual simpático da cidade. Uma visita ao Cacau da Serra e tomamos um sorvete de queijo com geléia de goiaba. De volta à pousada, esperamos anoitecer para aproveitar o frio, que esta noite chegou a 6 graus.

Milla aguardando o almoço enquanto observa os cartazes.

Eis o sorvete de queijo com geléia de goiaba.
 
Bem gostoso!
 Assistimos a um evento chamado "Vem pra praça", que reúne mensalmente moradores e visitantes para ouvirem um pouco de música e poesia. Nesta noite a cidade parecia estar bem mais cheia, e as pizzarias que também são famosas por seus caldos estavam com fila de espera na porta, desta forma optamos por comer um hamburguer gourmet em frente ao coreto, algo que não pretendíamos devido ao costume de comermos por aqui, achávamos que teríamos "mais do mesmo" mas nos surpreendemos. Hamburguer de carne de costela e molho com gorgonzola e geléia de abacaxi, combinação que funcionou muito bem. Vinha acompanhado de batatas rústicas. Tudo muito gostoso.

Este "Frankenjeep" me chamou atenção, mistura de jeep com caminhão.
  Ao acordarmos domingo faziam 10 graus, e o céu estava parcialmente nublado, o que me levou a crer que ficaria frio o resto do dia, tornando impossível qualquer vontade de entrar em cachoeiras. Enquanto não chegava a hora do café, caminhamos pela rua da pousada registrando algumas casas e cenas daquela manhã. Quando nos arrumamos para o passeio optei por ir de calça jeans, e claro que Murphy não poderia nos dar uma colher de chá...

O pequeno cemitério de São Pedro da Serra.

Detalhe do cemitério. Coitado do cara que sobe isso empurrando o carrinho com um caixão...

Casa de Dona Corita, uma das matriarcas da região.

Vimos muitas casas boas por lá.

Móveis rústicos são presença constante nas casas.

Bela flor com cerca de 1 cm.

Todos os bichos tentando se aquecer ao sol, nesta manhã de 10 graus.

Araucária imponente em frente à pousada.

Simpática cadelinha veio nos dar bom dia.

Que olhos bonitos ela tinha...
  Visitamos o poço belo, tiramos algumas fotos e ao chegarmos ao acesso à cachoeira do Indiana Jones o calor já era forte, por se tratar de uma estrada de terra estreita deixamos o carro fora dela e seguimos por cerca de um quilômetro a pé. Neste trajeto a nossa decisão boba de não levar água custou caro. Pensei ter chegado à trilha apenas para percorrer 5 minutos de trilha íngreme e chegar na cachoeira errada. A esposa a esta altura já estava se sentindo mal pelo calor e havia ficado à sombra de um bambuzal na entrada da trilha, e a câmera havia ficado com ela. Com este segundo erro perdi a oportunidade de registrar a bela queda com poço. Milla então decidiu voltar para o carro e me esperar, eu como já estava ali prossegui para ao menos registrar a cachoeira, mas não seria tão fácil quanto pensava. Para ter acesso ao local de onde as características pedras suspensas que dão nome à cachoeira são vistas, eu teria que entrar na água, e quase até a cintura conforme comprovei mais tarde, e voltar a pé por todo o caminho com a calça molhada. De qualquer forma, foi feito o registro.

Poço belo.

Pausa para uma foto juntos.

Caminho para a cachoeira Indiana Jones.

Quase lá... Depois da próxima curva.

Cuidado com as pedras escorregadias.

Ops, ainda não dá pra ver as pedras suspensas daqui...

Eu acreditei que daria para registrar as pedras sem molhar a calça...

Enfim, as pedras que dão nome à cachoeira. Em uma próxima visita eu irei até a cascata no fundo.
  Saindo da cachoeira decidimos ir visitar o centro de Lumiar, vimos algumas lojas e como o café havia sido mais reforçado ainda que a véspera(leia-se exageramos no café), ao invés de almoçar decidimos apenas comer alguns tiragostos, eu provaria uma cerveja artesanal e poderíamos curtir o dia de sol. Pastéis, linguiças diversas e mostarda foram o suficiente. Depois tomamos um sorvete e pegamos o caminho de volta no fim da tarde.

 Domingo à tarde já era visível que São Pedro estava vazia,  a maior parte dos visitantes já havia partido para suas cidades e várias lojas estavam fechadas. Ficamos assistindo a um filme mas não queríamos arriscar, pois poderíamos ficar sem nosso caldo se saíssemos tarde. A cidade a esta altura estava quase deserta, praticamente só os locais estavam pelas ruas, ocasião que vimos um bailão típico sulista acontecendo dentro de um clube. Aliás, impressionante como a população nascida ali parece toda originária da Suíça, como os fundadores de Friburgo. Bem diferente da noite de sábado, desta vez escolhemos o lugar e todas as mesas estavam livres. Nossos caldos de baroa vieram fumegantes e fartos, em grandes cumbucas de porcelana, acompanhados de uma cesta de torradas. Esse jantar exclusivo combinou perfeitamente com a noite fria. Quando voltamos para a pousada não havia nenhum outro carro estacionado.

A segunda feira amanheceu já com sol e menos fria, como que para nos colocar de volta à realidade. Enquanto esperávamos o horário do café, arrumamos as malas e deixamos tudo pronto para a partida. Ficamos batendo papo com o João enquanto tomávamos nosso café sem pressa, descobrindo mais curiosidades da região. Partimos com a sensação de termos feito dois amigos.

 A estrada que liga Lumiar a Friburgo é muito bonita, com sítios e casas que dão vontade de morar lá. Em cerca de 30 km chegamos à entrada de Friburgo, onde já achamos uma infinidade de lojas. Escolhemos uma e entramos... Saímos de lá com um estoque invejável de roupas de baixo, pijamas e até presentes atrasados de dia das mães. Como não pretendíamos explorar Friburgo nesta viagem, apenas cruzamos a cidade e seguimos em direção a Teresópolis.

Nossa primeira parada foi no Museu do Mel, ficamos curiosos para saber o que retrata um museu sobre o mel, porém por azar a visitação não estava aberta na segunda feira e tivemos que nos contentar com a lojinha e sua incrível variedade de mel. Impressionante como a espécie vegetal influencia no sabor e cor do mel.

Museu do mel em Friburgo. Pena que o museu em si estava fechado.

Formigas de aço.

Criativa a escultura.

A lojinha do museu, com vários tipos de mel e produtos variados.

Até cerveja com mel...

 Mais à frente paramos na Casa Suíça, elegante construção que conta com sua própria queijaria e chocolateria, além do museu do imigrante suíço, que vale a visita. Lá vimos diversas ferramentas manuais usadas pelos colonos e alguns objetos do dia a dia. Não conseguimos partir sem antes levar queijos, iogurtes e chocolates produzidos no local. A mente gorda dominou esta viagem...

Guilherme Tell, herói nacional suíço.

A elegante Casa Suíça em Friburgo.

Queijaria.

Queijaria.

Chocolates na loja da casa Suíça. Alguns vieram para o Rio...

Quarto padrão de imigrante suíço no Seculo XIX.

O ancestral do Victorinox.

Colheres de madeira dos imigrantes, muito bem trabalhadas.

Serrote grande de duas pessoas.

Plainas tradicionais.

Serrote e machado de carpinteiro.

A placa chama de pua mas eu conheço como trado.
  Conforme nos aproximamos de Teresópolis ficou evidente a vocação da cidade de fornecedora de verduras para as cidades vizinhas, incluindo o Rio, são quilômetros de morros cobertos de salsa, cebolinha, alface e outras culturas alimentícias. Justamente este pedaço da serra foi o que sofreu com as chuvas em 2011, e os efeitos foram sentidos nos mercados e hortifrutis do Rio, que viram sua oferta e qualidade reduzir drasticamente naquele período. Foi bom ver que a região superou os estragos e se recuperou plenamente.

Após uma pequena pausa para fotos no Belvedere da entrada de Teresópolis, descemos a serra e entramos na BR40, de volta à confusão da cidade grande. Sanduíches de  linguiça e croquetes na casa do Alemão foram nosso almoço, e antes da hora do rush estávamos chegando em casa.

O Dedo de Deus imponente em meio à Serra dos Órgãos.

O Rio lá no horizonte, com névoa e poluição.
 Ficamos com aquela sensação de que precisamos voltar para explorar as outras atrações não visitadas, quem sabe desta vez no verão. Ficaram de fora os campos de flores de corte, o encontro dos rios e outras cachoeiras da região.

Importante

-São Pedro da Serra é uma cidade prioritariamente turística, ou seja, muito pouca coisa funciona de segunda até quinta.

- Ao contrário da vida noturna no Rio, em São Pedro à meia noite tudo está fechado, portanto quem está acostumado com as noitadas cariocas tem que ajustar os horários para não ser pego de surpresa.

- Mesmo no verão leve agasalhos, o tempo à noite esfria bastante na serra.

- Quando for visitar os rios e cachoeiras leve roupa de banho mesmo em manhãs frias, ou pode ficar de fora e se arrepender.

- Domingo até a farmácia da cidade fecha, seja prevenido e leve ou compre com antecedência o que precisar.

- Não há posto de gasolina na cidade, abasteça em Lumiar antes de seguir viagem.

Te vejo na Trilha!

4 comentários:

  1. Bela descrição do lugarejo que tanto amo!! Isso mesmo ... São Pedro da Serra e tudo isso e muito Mais!! O hambúrguer citado e do grande cheff e empreendedor : Vitor, dono do fantástico Universo Grill o café citado, nasceu num pequeno quiosque que se transferiu para a agradável Lj em frente a praça tb. Há alguns anos me apaixonei por Sáo Pedro e, acompanho com felicidade os empreendedores guerreiros deste paraíso. Já tive o prazer de me hospedar na Pousada Canteiros, realmente é especial!! Se tiver oportunidade visite tb a Pousada dos Anjos do Rodrigo e da Natália, eles são maravilhosos!! E não deixe de ir na Ecoarte, uma livraria especia, um Centro Cultural de resistência e cultura, da BRAVA Zelma!! Outra dica, se puder visite São Pedro e Limiar em agosto, no evento LUMIARTE!! É SENSACIONAL!!! Abs Luiz Paulo.

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    1. Obrigado pelas dicas Luiz Paulo, pretendemos voltar assim que possível. Abraço.

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  2. Muito bom o diário do aventureiro. Já visitei a cidade de SPS 3 vezes e sempre fico com saudades. Dia 29/06 tem a festa do padroeiro. Amo SPS

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    1. Oi Sonia, que bom que gostou. São Pedro tem um clima que dá vontade de morar lá, principalmente pra quem é nascido e criado na bagunça de megalópole mas nunca gostou.

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