Para o feriado do dia do comércio, me programei para passar o dia na floresta praticando técnicas de Bushcraft, registrando o máximo possível em fotos.
Na tarde da véspera, o tempo que havia estado perfeito por muitos dias virou, caindo uma chuva que só viria a parar quase 30 horas mais tarde. Mas isto não me fez mudar de planos.
Achei que seria uma oportunidade de pôr à prova minhas habilidades em uma situação relativamente controlada, o que é muito importante. Muitas pessoas vão praticar apenas nos dias mais perfeitos de sol, se esquecendo de que a maior parte das emergências ocorre justamente quando o tempo muda repentinamente.
Mochila carregada, parti rumo à floresta. Como um dos objetivos era justamente testar a nova faquinha, a
EDC, ela foi na minha cintura acompanhada da minha
bowie.
A chuva caía levemente, o que tornava a caminhada agradável, mas conforme avançava na trilha os pingos iam engrossando e caindo mais frequentemente. Desde o incício fui recolhendo todo material seco que encontrava, conforme aconselhei no post sobre o
fogo.
Quando cheguei na cachoeira que é um atrativo bastante conhecido do público carioca, achei que era um bom lugar para fotografar a faca. Feito isto usei o mini tripé e o automático da câmera para tirar um auto retrato.
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| Eu na cachoeira, prestes a cruzar o rio. |
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| A faquinha em sua primeira saída de campo comigo. |
É neste ponto que a maioria das pessoas fica, mas meu caminho continuava do outro lado do rio. Algum tempo depois a chuva começava a cair bem forte, e eu considerei as alternativas de abrigo. Poderia fazer apenas um telhado com minha cobertura da rede, ou fabricar um usando materiais nativos, conforme tutorial já esboçado. Antes que tivesse tomado uma decisão avistei um abrigo natural que poderia me servir perfeitamente. Após uma breve inspeção, resolvi ficar.
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| Inspeção do abrigo. Vazio e perfeitamente seco. |
Mochila no chão, materiais secos protegidos pelo abrigo, comecei a procurar lenha nas redondezas. Foi difícil, pois absolutamente tudo esteve debaixo de chuva desde a véspera. Separei o material menor e fui atrás de galhos maiores. Achei uma árvore jovem caída, e tratei de picotá-la. Parti os pedaços ao meio para expor a madeira mais seca, ou melhor, menos molhada, e separei também. Ao redor do abrigo havia muita vegatação tombada, e marcas de deslizamentos das tempestades ocorridas no início do ano.
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| Esse foi todo o material seco que pude encontrar. |
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| Materiais intermediários. Alguns bem secos, outros úmidos. |
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| Galhos maiores partidos. |
Como era cedo, resolvi esperar para acender o fogo mais perto da hora de comer, e enquanto isso sentei no abrigo e botei a EDC para trabalhar. Raspas de um pedaço de madeira roída por insetos formavam material bem pequeno para acender o fogo.
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| Sentado esperando o tempo passar. |
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| Raspas de madeira seca, boa isca de fogo. |
Mais cedo, enquanto partia os galhos, encontrei uma forquilha que pensei ser um perfeito estilingue após algum trabalho. De novo a EDC entrou em ação. Pena que não levei os elásticos prontos de casa.
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| Forquilha pronta, só faltavam os elásticos. |
Lá fora o tempo continuava muito ruim, mas no abrigo tudo seco.
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| Chuva e vento me esperavam fora do abrigo. |
A fome foi batendo, e era a hora de acender o fogo. Foi aí que eu tive que trabalhar realmente duro. Lembra o que disse sobre material úmido? Pois é, minutos de faíscas produzidas não foram capazes de acender mesmo o menor e aparentemente mais seco dos materiais. Confirmei a importância de carregar além do meu Ferro Rod, a barra de magnésio. Tive que raspar um bocado dela para ajudar o material a começar a queimar. A EDC foi usada sem pena nesta tarefa, e não decepcionou. Além de não ter seu fio seriamente danificado, sua empunhadura se mostrou extremamente confortável mesmo sendo usada mais à frente. Após acrescentar o pó de magnésio, bastou uma boa raspada no Ferro Rod para produzir a primeira chama. Daí para a frente fui acrescentando mais material até que o fogo estivesse consolidado. Devido à umidade, precisei oxigenar a fogueira constantemente, soprando pelas frestas. Entre uma soprada e outra, engoli um bom bocado da fumaça produzida pela madeira molhada. Nada agradável. :)
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| Fogo! |
Enquanto o fogo se mantinha, a lenha maior ficava ao lado para secar mais. No momento oportuno, foi toda inserida no fogo, e novamente precisei soprar muito para que o fogo pegasse nelas, ao invés de diminuir. Mistura de madeira errada com umidade. Sim, a madeira, que não sei qual é, queimava com pouco calor, virando brasa antes de ter gerado chamas. Isso atrasou consideravelmente a fervura da água.
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| Macarrão instantâneo? Nem tanto... |
Após comer e descansar aproveitando a vista da floresta, achei que era hora de começar a preparar a volta para casa, afinal, a tarde avançava. Para minha sorte a chuva havia acabado, embora qualquer vegetação estivesse encharcada.
Dando um toque exótico ao dia, quase ao final da trilha, um macaco prego mais curioso veio ver quem eu era.
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| Macaco curioso. Não parou um segundo para uma boa foto. |
No fim das contas, apesar do enorme esforço, consegui fazer fogo mesmo com todas as condições desfavoráveis. Esta foi certamente a fogueira mais difícil da minha vida, mas consegui. Isto prova que o treino das técnicas certas é essencial para o sucesso.
Te vejo na trilha!
Esse macaco dava um churrasco e tanto!!
ResponderExcluirHehehe, eu sei que na Amazônia é coisa rotineira, mas confesso que teria um baita receio de comer um bicho que depois de "descamisado" tem tanta cara de gente.
ResponderExcluirJá um javali invasor de terras sulistas... ;)
Bacana!
ResponderExcluirConfesso que invejo sua capacidade de curtir plenamente coisas tão simples. Enquanto a maioria de nós deseja possuir coisas e meios, você tranforma um dia de chuva num evento especialíssimo.
Hehehe, pois é, tenho gostado cada vez mais de coisas assim, poder ser mais eficiente, interagindo mais com os locais onde ando.
ResponderExcluirO resto é perfumaria.
parabéns pela iniciativa Andre, esse retorno ao natural é para mim, cada vez mais fundamental.
ResponderExcluirabraço
Pois é Felipe, penso de forma similar.
ResponderExcluirE tenho sido mais feliz quanto mais sigo este caminho.
Abraço
Uma vez, acampando próximo ao canyon do Itaimbezinho, eu precisei fazer uma fogueira debaixo de chuva, sem lenha seca e sem nenhum abrigo próximo pra ajudar... Por sorte achei um gomo de pneu de trator perdido ali na beira do rio, e depois de cortá-lo em pedaços menores, usei como combustível pra começar a fogueira. Depois de algum tempo o cheiro ruim acabou e a fogueira não apagou mais, pois a copa da árvore que estava em cima dava conta de impedir o excesso de chuva de cair no fogo. O próprio calor secava a lenha que nós íamos adicionando aos poucos ao fogo. Rendeu calor e violão até a madruga!
ResponderExcluirBem pensado, capacidade de adaptação e improvisação é 90% da sobrevivência.
ResponderExcluirAbração.